sexta-feira, 1 de abril de 2016

A arte de enganar: os animais também mentem

Pode ser surpresa para quem pensa que a desonestidade é uma característica exclusiva dos seres humanos, mas para muitos zoólogos não há dúvida: eles afirmam que os animais usam a linguagem muito mais para dissimular e mentir do que para trocar informações “honestas”. A natureza está repleta de bichos vigaristas, cujo comportamento chega a ser quase humano, no pior sentido dessa expressão. Um desses trambiqueiros é um jovem babuíno do sul da África, batizado de Paul pelos primatologistas ingleses Richard Byrne e Andrew Whiten, que o flagraram várias vezes passando o seguinte conto do vigário: assim que notou que uma fêmea arrancava uma suculenta raiz da terra, Paul pôs-se a gritar como se estivesse apanhando. Imediatamente, sua mãe apareceu e, pensando que a fêmea tivesse atacado seu filhote, expulsou-a. O esperto babuíno aproveitou para roubar e saborear a raiz.
Paul é apenas um dos 253 casos de mentiras contadas por macacos estudados pelos dois ingleses. Amparados pela quantidade de lorotas, Byrne e Whiten não hesitam em classificar os símios como criaturas maquiavélicas, que têm a chance de ser honestos mas insistem em enganar os próprios companheiros. Outro exemplo é o do chimpanzé Figan, que descobriu as vantagens da omissão. Ao encontrar algumas bananas, Figan soltou um grito para avisar o bando de que encontrara comida, conforme manda seu instinto. Os outros macacos apareceram e comeram as bananas. No dia seguinte, ele voltou a achar frutas, mas dessa vez não gritou. Fez um esforço supremo para conter o som, mas valeu a pena: comeu as bananas sozinho.
Byrne e Whiten conseguiram coletar os 253 casos graças a uma lista de farsas que poderiam ser obra de macacos enviada a mais de 100 primatologistas em todo o mundo. A resposta foi surpreendente: somente a família dos lêmures, animais de cérebro pequeno e organização social simples, não se encaixou em nenhuma das fraudes listadas. Além disso, os cientistas fizeram outra descoberta — quanto mais dissimulado o primata, maior o seu cérebro.
Mesmo as criaturas menos evoluídas e com cérebros menores do que os primatas têm sua dose de desonestidade. Que, aliás, não merece reprovação: para os cientistas ingleses John Krebs e Richard Dawkins, as mentiras são apenas elementos da justa disputa pela sobrevivência. Segundo eles, todo animal procura tornar seu ambiente o mais vantajoso possível para si mesmo. Se aparece um concorrente, é preciso expulsá-lo. Mas como uma luta aberta seria onerosa, pois pode acarretar ferimentos e não há garantias de vitória, é melhor tentar afugentar o intruso com ameaças.
O zoólogo americano Eugene Morton, da Smithsonian Institution, sugere uma incrível hipótese sobre as carriças, pequenas aves dos Estados Unidos. Segundo ele, esses pássaros defendem seu território por meio do canto. Assim, cada ave tenta ameaçar as outras, que se afastam e cedem terreno. Morton afirma que as carriças avaliam a intensidade e o timbre do canto do inimigo, pois de algum modo percebem que os sons são amortecidos de forma diferente pela floresta. Sons graves, por exemplo, costumam passar mais facilmente; se uma carriça ouve um som grave e outro agudo, sabe que o autor do segundo está mais perto. Mas o zoólogo garante que as carriças cantam na mesma freqüência, além de modificar sempre as canções. Ou seja, o canto nada mais é do que um bombardeio recíproco de mentiras.
Outro tipo de ameaça comum na natureza se relaciona com tamanho avantajado, que geralmente é sinônimo de perigo. Tais advertências serão mais bem-sucedidas quanto maior se insinuar o orador. Além do mais, parecer grande é melhor do que ser grande de fato. Uma ave corpulenta demais não voaria, um elefante monstro sucumbiria sob o próprio peso. Por isso, as aves abrem as asas e os felinos eriçam o pêlo da nuca, a fim de parecer mais assustadores do que realmente são. Algumas espécies de peixes diminutos das Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, por exemplo, logram predadores maiores ao fazer seu cardume assemelhar-se a um só peixe gigante, navegando sempre bem perto uns dos outros.
No mundo das ondas sonoras não é diferente. O reino animal aprendeu a manipular instintivamente uma verdade biofísica valiosa: a de que sons graves refletem grandeza. O latido grave e carregado do cão são-bernardo, por exemplo, soa mais ameaçador do que a aguda gritaria de um chihuahua. A Física explica essa associação. O som vem da vibração das cordas vocais. Quanto maior for o comprimento delas, menor será a freqüência das vibrações. Os sons de baixa freqüência são percebidos como graves. Um animal pequeno, dono de cordas vocais curtas, produzirá ruídos mais agudos.
Essa lei física determina códigos de comunicação no reino animal. Para o zoólogo americano Eugene Morton, os sons graves indicam hostilidade ou agressão. Já os agudos são sinal de submissão ou carência. Ele ilustra a teoria com um exemplo simples: imagine ouvir de dentro de uma caverna escura um barulho fino e alto. Com todo o instinto de proteção despertado, será muito fácil acudir o animal. Mas se o som vindo da escuridão for grave e rouco, é melhor fugir da fera que deve morar na caverna. Praticamente todos os animais estudados pelos cientistas ameaçam com sons graves: os pássaros chilram em tom mais baixo, os cães rosnam e os felinos resmungam perigosamente. Com esses truques, alguns animais parecem ainda mais perigosos do que já são. O leão, por exemplo, complementa a poderosa mandíbula com a juba arrepiada e com seus rugidos extremamente graves.
Mas os bichos, assim como os homens, não conversam apenas para enganar uns aos outros. Justiça seja feita: a linguagem no reino animal serve também a propósitos mais nobres. Um exemplo é o dos elefantes e sua comunicação inaudível para os humanos. Os zoólogos se admiravam com o comportamento dos elefantes machos — habituados a passear pelas savanas sozinhos, eles subitamente correm distâncias quilométricas, como que atraídos por uma força misteriosa, e chegam sempre a uma fêmea no cio. A bióloga americana Katharine Payne, da Universidade de Butler, decifrou o enigma: constatou que as fêmeas chamam os machos com infra-sons, ruídos abaixo de 20 hertz que o ouvido humano não consegue captar. Hoje se sabe que os infra-sons não são usados unicamente nos períodos de acasalamento, mas também para socorrer um animal ferido ou induzir o grupo a fugir de algum perigo.
Em algumas espécies, o domínio do som já se transformou numa linguagem razoavelmente elaborada, como no caso dos macacos-do-sudão (Cercopithecus aethiops), estudados pelos zoólogos americanos Dorothy Cheney e Robert Seyfarth na África Oriental. Eles descobriram que os animais utilizam gritos para transmitir informações precisas: uma espécie de latido avisa a chegada de um leopardo. Imediatamente, os outros sobem na árvore mais próxima e se refugiam nos galhos finos, onde o pesado predador não pode pegá-los. O segundo sinal de alarme é um som gutural, traduzido pelos pesquisadores como “águia”. Ao ouvir esse alerta, o grupo procura um arbusto, de forma a não ser alcançado pela ave. Já ao som de um grito estridente, a reação é outra: levantam-se sobre as patas posteriores e aguardam a chegada da cobra anunciada.
A descoberta mais impressionante aconteceria nas florestas de Camarões. Os americanos encontraram um quarto sinal de alarme: um chamado suave e quase imperceptível. Para surpresa dos dois, ele significava “caçador”. Quando o ouviam, os macacos procuravam um arbusto denso, mas que permitisse uma saída por trás. Dorothy e Robert ficaram atônitos. O grupo não podia ter aprendido o chamado por herança genética, pois sua caça pelo homem é recente para que isso ocorresse. Além disso, os macacos-do-sudão de outras regiões, nunca perseguidos por humanos, não entendiam o alarme.
Surge aqui uma linguagem racional? Os pesquisadores não sabem responder, embora haja quem acredite que a fala humana nasceu exatamente assim — pela cooperação e não pela mentira — e que talvez um dia os macacos também cheguem às palavras. Só que para confirmar isso, os cientistas têm de esperar com paciência — provavelmente alguns milhares de anos.
Por Paula Cleto
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São Paulo decide antecipar campanha de vacinação contra o H1N1



Diante do aumento de casos de H1N1, o governo de São Paulo decidiu antecipar a campanha de vacinação contra a gripe na região metropolitana. E já é a vacina nova, deste ano.
Quem procura atendimento, tem que esperar por horas. E está todo mundo querendo saber: dá para diferenciar os sintomas de uma gripe normal da H1N1? Os médicos dizem que em casa, apenas pelos sintomas, não é possível diferenciar. Só fazendo o teste.
O repórter Tiago Eltz foi buscar respostas para muitas dúvidas que estão fazendo as pessoas lotarem os hospitais.
A campanha nacional de vacinação contra a gripe começa no dia 30 de abril. Em São Paulo, os profissionais de saúde começam a ser vacinados na segunda-feira (4). Na semana seguinte, a partir do dia 11, serão vacinadas as crianças, as gestantes e os idosos.

Campanha nacional de vacinação contra a gripe começa no dia 30 de abril. 
Em SP, profissionais de saúde começam a ser vacinados na segunda (4).


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quinta-feira, 31 de março de 2016

O que fazer em casos de alergia a animais domésticos

Os animais domésticos, como cães, gatos, pássaros, hamsters, entre outros, são queridos por muitas crianças e adolescentes. Contudo, nem todas essas crianças e adolescentes estão livres da alergia a animais.
Abaixo respondemos a uma série de dúvidas frequentes entre os pais que possuem ou pretendem adotar um bichinho de estimação.
1. Por que as crianças e adultos sofrem de alergia ao entrar em contato com os cachorros e gatos? Pesquisando, achei informações sobre flocos de pele morta, restos de saliva e urina. Qual é a verdade nisso?
Os animais de sangue quente, ou de pelos e penas, desprendem cascas que contm proteínas da pele e também a saliva ou urina podem ser alergênicas e causar sintomas em pessoas geneticamente predispostas à alergia. Porém, nem todos os alérgicos terão esse problema.
2. Com relação aos outros animais, quais outros também são alérgenos? Pássaros, hamsters, porquinhos-da-índia... Tem mais algum? E existem animais de estimação que não causam nenhum tipo de alergia?
Qualquer animal de pelo ou pena podem causar alergias: pássaros, hamsters, porquinho-da-índia, cavalos, cobaias (ocorre em profissionais que trabalham em laboratórios).
Além do alérgeno específico do animal, a presença de animais no ambiente interno da casa, aumenta a quantidade de ácaros (maior disponibilidade na cadeia alimentar, já que ácaros se alimentam de detritos de pele).
3. Se a pessoa tem reações alérgicas aos O bichinhos, mas quer tê-los mesmo assim, qual é a postura que se deve adotar para ter o animal em casa sem prejudicar a saúde dos moradores? Banhos nos cachorros e gatos, limpeza das fezes e urina, limpeza da casa, etc.
O melhor é evitar o contato. Por exemplo, quem é alérgico a gatos, dependendo da gravidade da alergia, pode ter sintomas até quando o gato mora no apartamento vizinho, ou quando a avó, que tem um gato, vem visitar o netinho sem trocar de roupa... Pesquisas demonstraram a presença de alérgenos do gato no ambiente até seis meses após a retirada do animal.
De todo modo, se a alergia está controlada, pode-se tentar manter o animal fora da casa (de preferência no quintal) e dar banhos frequentes. Além de, é claro, fazer a limpeza adequada da casa.
4. É verdade que quanto mais a pessoa tiver contato com o animal, mais ela vai desenvolvendo tolerância ao bicho e fica mais resistente à alergia?
Isto não está comprovado. Existem estudos que demonstram o aumento da tolerância à exposição ao epitélio de cão e gato através da imunoterapia (aplicação de alérgenos em doses progressivamente crescentes, através das vacinas alergênicas).
5. Uma pessoa já apresenta uma alergia assim que entra em contato com o animal ou este processo alérgico pode desencadear após um tempo de convivência com ele?
Para que o processo alérgico ocorra, com formação de anticorpos contra o alérgeno do animal, deve ocorrer um contato inicial. Mas observa-se que essa alergia pode ser desencadeada após muito tempo de convivência também.
6. Em que casos de alergia a família deve decidir se desfazer do animal?
A principal recomendação para obter o controle das alergias é tentar manter-se distante do alérgeno que a causa (ex. alérgicos ao camarão não terão sintomas se não tiverem contato com o camarão). Do ponto de vista prático, em relação aos animais, esta medida deve ser mais incisiva quando se observa que a alergia está fora de controle, prejudicando com frequência a qualidade de vida do paciente.

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Bactérias resistentes provocam debate sobre o uso de antibióticos em animais


Roma – Depois de tantas alegrias dadas pelos antibióticos e outros antimicrobianos à ciência nas últimas décadas, o crescimento da resistência a essas substâncias europém pessoas e animais está agora reascendendo o debate sobre a necessidade da realização de novas pesquisas.
Alexander Fleming, vencedor do Prêmio Nobel em 1945 pela descoberta da penicilina, alertou na época que o uso incorreto da droga poderia provocar o surgimento de bactérias resistentes.
O tempo lhe deu razão: assim como os antibióticos permitiram tratar facilmente infecções que antes eram mortais, salvando a vida de milhões de pessoas, muitos deles perderam parte - ou totalmente - sua eficácia. No caso dos animais, essas substâncias não só foram usadas para curar doença, mas também para fins profiláticos e para aumentar a produção.
Diante dos riscos, as possíveis restrições no uso de antimicrobianos são um motivo de atrito para os países, divididos entre os que defendem - como a União Europeia (UE) - que há um vínculo entre o uso e o aumento da resistência antimicrobiana, e os que não veem a utilização da substância como suficiente para provocar o fenômeno, incluindo os Estados Unidos.
A especialista da Annamaria Bruno, da Secretaria do Codex Alimentarius (coletânea de normas internacionais para garantir a inocuidade dos alimentos), afirma que a pesquisa é muito importante porque cada vez há mais evidência entre o uso de antibióticos em animais e a resistência em seres humanos.
O órgão intergovernamental administrado de forma conjunta pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) busca, desde 2000, como conter a resistência aos antibióticos a partir de análise dos riscos de transmissão pelos alimentos.
O Codex promove, além disso, ações globais como o fortalecimento do marco regulador, o uso veterinário dos antimicrobianos de forma prudente e responsável, e a eliminação ou a progressiva redução de sua utilização como promotores do crescimento da produção animal.
A especialista destaca que a pesquisa também pretende encontrar alternativas aos antibióticos, como vacinas e outras maneiras de reduzir o risco de doenças nos animais.
Enquanto as discussões seguem nos fóruns internacionais, a revista científica "The Lancet" publicou, em novembro do ano passado, um artigo sobre o descobrimento na China de uma nova forma de resistência em pessoas e animais, vinculada à colistina. O problema teria ocorrido pelo uso desse antibiótico na agricultura.
Em relação aos últimos estudos, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) lembrou que detectou em aves um aumento da resistência a antimicrobianos empregados para tratar doenças como a salmonela, que também afeta os humanos.
O especialista da EFSA Ernesto Liebana destacou que existem "evidências circunstâncias" que deixam claro que, quanto mais antimicrobianos, mais cresce a "pressão seletiva aplicada sobre a população de bactérias, gerando uma proporção maior de resistência".
"Nos países nos quais houve um esforço em reduzir o uso de antimicrobianos, encontramos os menores níveis de resistência de modo geral", destacou Liebana.
De qualquer forma, os pesquisadores seguem estudando o fenômeno, considerado como muito complexo quando surgem, por exemplo, bactérias multirresistentes ou capazes de transmitir seus genes resistentes para outras, com grande capacidade de expansão.
A contaminação pode ocorrer de diferentes formas, como, por exemplo, por meio das importações de animais. Apesar de a UE proibir o uso de antibióticos para favorecer o crescimento dos animais, alguns dos países-membros do bloco usam a substâncias para tratar doenças, o que dificulta as análises de risco.
Os especialistas pedem medidas globais para minimizar os efeitos negativos. Eles exigem que as decisões políticas sejam baseadas nas evidências científicas, mas nem todos os países parecem estar interessados em participar desse debate.
Para Barbara Murray, ex-presidente da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA, na sigla em inglês), os EUA precisam se esforçar mais para reduzir o uso desnecessário dos antibióticos em animais. Ela reconhece, porém, que as opiniões entre os profissionais de saúde são diversas e que é preciso mais pesquisa para esclarecer as divergências. EFE

Aedes transmite doença que pode causar embolia pulmonar e morte em cães

Mosquito Aedes aegypti
Foto: Wikipédia



Cansaço, tosse e edema pulmonar são alguns dos sintomas que alertam para a dirofilariose, também transmitida por pernilongos.

Apesar do senso comum, os alvos do mosquito Aedes aegypti não são apenas as pessoas, mas também seres felpudos e de quatro patas.
A dirofilariose canina é uma doença que tem entre seus vetores o mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e do chikungunya. E a consequência é uma embolia pulmonar que pode levar à morte.
O veterinário André Luís Soares da Fonseca, professor na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), explica que “o Aedes aegypti prefere sangue humano, mas também ataca cães” – momento em que o parasita dilofilaria immitis entra no corpo do animal e passa a se desenvolver em seu coração, podendo atingir até 20 centímetros de comprimento.
“É um verme que fica em forma de novelo. O animal infectado chega a abrigar no coração dez larvas ou até mais”, alerta Rodrigo Monteiro, professor do curso de Medicina Veterinária na Universidade Anhanguera. “O parasita se alimenta dos componentes do sangue, nutrientes e proteínas do animal.”
A partir do momento em que o Aedes aegypti contaminado com a dirofilária pica o cão, o verme é transmitido para o animal, caindo na corrente sanguínea e indo direto ao coração, onde instantaneamente começa a causar danos.
Inicialmente de uma dimensão minúscula, capaz de passar pela tromba do mosquito, o verme se desenvolve rapidamente e, em três anos, chega a seu auge, com 20 centímetros, momento em que passa a causar maior estrago ao organismo. Cansaço, dificuldade para se exercitar, tosse e edema pulmonar são alguns dos sintomas.
O tratamento, diz Monteiro, é de alto risco, já que o medicamento atualmente disponível mata o verme, mas, por se hospedar nas artérias do coração e até do pulmão, se fragmenta e pode entupir algum capilar do órgão respiratório, causando a embolia pulmonar e levando à morte. Sem ele, no entanto, o animal está fadado a morrer, pois o verme continua a crescer e se desenvolver dentro do coração.
“Mas os animais dificilmente morrem por infarto, porque o coração canino consegue se irrigar de forma mais eficaz do que o humano quando alguma artéria está obstruída”, ressalta o especialista. “Só que a embolia é ainda mais grave do que o infarto.”
Apesar de o primeiro vetor da doença ser o mosquito culex, um pernilongo comum, a alta densidade do Aedes no País aumenta o risco de transmissão pela espécie.
Proteger o cão é a melhor maneira de evitar a doença
Monteiro explica que há um medicamento vermífugo que pode ser oferecido mensalmente aos cães que vivem em áreas endêmicas da dirofilariose, mas que ele só vale como método preventivo, quando a infecção pela larva ainda é recente.
“Se o cão for picado pelo mosquito infectado, assim que essa larva cair no sangue, automaticamente ele vai morrer”, conta Ribeiro. Ele enfatiza que o medicamento, receitado por médicos-veterinários, é seguro e que há cães tomando-o mensalmente há mais de dez anos, sem registro de efeitos colaterais.
Outra forma de prevenir, segundo Fonseca, da UFMS, é passar um inseticida canino nos pelos dos cães, cuja eficácia contra o Aedes aegypti é de 98%, com durabilidade da proteção de 30 dias.
A incidência da dirofilariose canina varia de região a região. O litoral norte de São Paulo, o interior do Estado e o Nordeste do País, por exemplo, são algumas áreas com maior número de casos em território nacional.

Desmitificando os mitos da castração - veja 8 benefícios


Existem muitos mitos sobre a castração de animais de estimação. Uma das crenças mais comuns é que fêmeas devem ter ao menos uma ninhada antes de serem castradas, para que sejam saudáveis e felizes. Já no caso dos machos, crê-se que a castração torna o animal triste e frustrado, pois não conseguiria mais cruzar. 
Todas as afirmações acima são falsas, tanto para cães quanto para gatos. 
Os cães não precisam cruzar ou ter filhotes antes de ser castrados para sentir-se satisfeitos ou completos. Em outras palavras, sua saúde física e mental não será comprometida se eles não tiverem contato sexual ou filhotes. Esses são valores humanos. A realidade é que os cães agem por instinto e estão mais sujeitos à frustração se não forem castrados. Já imaginou quantas fêmeas entraram no cio, nos últimos anos, em seu prédio ou na sua rua? Esses possíveis “parceiros” são percebidos à distância pelos animais, mas não pelos humanos. Isso significa que o seu cachorro instintivamente vai querer cruzar, às vezes durante dias seguidos, sem nunca conseguir. Isso, sim, pode gerar frustração e representar um estresse constante na vida do seu cão ou gato.
A castração traz ainda uma série de benefícios para os nossos animais de estimação e para a sociedade. Por exemplo, tente se lembrar: existem muitos cães de rua onde você mora? Castrar o seu cachorro é um ato de responsabilidade, pois você está não apenas prevenindo possíveis doenças (veja abaixo), como também contribuindo para reduzir a quantidade de ninhadas indesejadas. Esses filhotes frequentemente acabam abandonados ou em situação de maus-tratos. 

Benefícios para o animal

Além do que destacamos acima, conheça 8 bons motivos para castrar seu cão ou gato:
  • Em fêmeas, o procedimento diminui o risco de câncer de mama. E quanto mais cedo, melhor: 99% das cadelas castradas antes do primeiro cio não desenvolvem a doença. Já em gatas, a castração reduz as chances de câncer de mama entre 40% a 60%.
  • Em machos, a castração reduz a frustração sexual e a necessidade de sair em busca de “namoradas”. Ao mesmo tempo, isso diminui o risco de fugas, atropelamentos e brigas com outros machos.
  • As fêmeas não ficam mais vulneráveis a infecções uterinas graves, como a piometra, uma vez que o seu aparelho reprodutor é removido durante o procedimento.
  • Já em machos, reduz-se em grande escala os problemas de próstata e evita-se o câncer de testículo, que pode ser fatal.
  • As fêmeas não entram mais no cio, poupando os tutores de lidar com o sangramento e com possíveis cães de rua importunando no portão. 
  • Cães e gatos machos sentem menos necessidade de marcar o seu território com urina.
  • Seu animal de estimação também pode ficar mais dócil, facilitando a interação e reduzindo situações problemáticas – especialmente entre os que tinham comportamento agressivo antes. 
  • Uma vez que seu cão está castrado, consulte seu veterinário sobre a quantidade de comida que você deve oferecer. Em geral, os animais castrados consomem menos calorias. Ressaltamos ainda que a castração em si não faz os animais engordarem. O que acontece em alguns casos é a redução de atividade física (o animal fica mais calmo), o que o leva a ganhar peso. Basta ficar de olho e não deixar de exercitá-lo.
Se tiver alguma dúvida sobre a castração, recomendamos que fale com o seu médico veterinário. Ele poderá te aconselhar sobre o melhor período para realizar o procedimento e cuidar das necessidades específicas do seu cão ou gato.
Castrar seu animal é um ato de amor. Que tal reconsiderar?
Fonte:
World Animal Protection

A castração é mesmo necessária para todos os cães? Há contra-indicações?




O que não falta são recomendações e campanhas referentes à castração de caninos. Mas também não faltam certas indagações. A castração é mesmo necessária? Para todos os cães? Há contra-indicações? Boas perguntas – e aqui estão boas respostas.

Afinal, o que é castração?


A castração nada mais é que a extração dos testículos – de cães, seres humanos, bois e outros bichos – por meio de cirurgia, e pode ter várias finalidades, como remover doenças nos testículos e próstata, zerar a possibilidade de gravidez indesejada, reduzir a atividade sexual, a agressividade e a impetuosidade. Os testículos, além de esperma, produzem testosterona, o famoso hormônio que comanda o ímpeto sexual e a agressividade dos machos (daí o uso do verbo “castrar” como sinônimo de censurar e reprimir.
Além de se tornarem menos impetuosos, cães castrados exalam menos “cheiro de macho” e, portanto, são menos vulneráveis à agressão territorial de outros caninos.
Vale lembrar que há dois tipos de agressividade canina. Um é o que leva o peludo a se posicionar, marcando território e se defendendo contra estranhos. Esta, quando exagerada, pode ser minimizada com a castração. O outro, o mais perigoso, é causado pelo medo e tem como melhor remédio o treinamento e a socialização.
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Quando e como castrar
O canino pode ser castrado em qualquer idade, mas a melhor é bem cedo, dos seis a dezoito meses de idade. Esse é o período aproximado da “adolescência”, quando o peludo descobre o prazer sexual (além do “prazer solitário” de se esfregar em almofadas, pernas humanas ou o que mais aparecer). E é quando é menor a possibilidade de ele desenvolver tumores de próstata e hábitos agressivos como marcar território.
O bicho, após um exame médico geral (inclusive quanto a sensibilidade a anestésicos), recebe anestesia geral, e normalmente não precisa permanecer no hospital, voltando para casa logo após a cirurgia – que dura cerca de meia hora. Há poucos riscos pós-operatórios, como a vontade de ele lamber ou morder o local operado ou sair correndo e estourar os pontos. O canino pode precisar usar aqueles colares altos que o deixam parecendo um “abajur”, para evitar que ele mastigue o local operado. É bom evitar que ele se agite muito e verificar se há ruptura ou sangramento nos primeiros cinco dias após a cirurgia. O retorno ao veterinário para a retirada dos pontos costuma ser após sete a dez dias.
Nunca é demais lembrar: a castração não é reversível, e o peludo castrado não poderá mais gerar peludinhos. Cuidado com veterinários baratinhos cujo serviço pode sair caro, mas castrações gratuitas ou a preços baixos promovidas pelas prefeituras ou ONGs dedicadas a animais são um bom negócio.
Mitos da castração
A importante prática da castração costuma motivar mal-entendidos e equívocos; vamos comentar os mais comuns, na esperança de que se tornem cada vez menos comuns.
“Todo cão deve ser castrado”
Obviamente, caninos “empregados” como reprodutores, ou cujos donos queiram “constituir família”, não devem ou necessitam ser castrados. Afinal de contas, se todos fossem castrados a raça canina acabaria desaparecendo.
“Cães de guarda não devem ser castrados para não perderem a coragem e disposição de exercer a função”
Nada disso. A castração não muda o caráter do animal. Dobermans, Pastores Alemães e outros eméritos cães de guarda, ao serem castrados, podem tornar-se menos dominantes, mas não deixam de ter “culhões” para desempenharem sua função de guardas bravios e ferozes quando necessário – inclusive muitos criadores destas raças oferecem a opção de filhotes já castrados.
“A castração resolve todos os problemas de temperamento canino”
Não! A castração não substitui a socialização ou o adestramento, apenas os complementa, e não deve ser interpretada como “fórmula mágica” ou “penúltimo recurso” (antes do sacrifício) para cães muito agressivos (no sentido de anti-sociais) ou Dons Juans peludos.
“Castração faz engordar”
O que engorda não é a castração em si, e sim o aumento de apetite e consequente excesso alimentar que podem advir, além da preguiça e menos atividade em peludos mais pacatos.
“Cães castrados são mais difíceis de treinar.”
Na verdade, a tendência é eles ficarem mais dóceis, menos agressivos e menos dispersivos.
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“A castração é prática anti-natural”
Já não basta os seres humanos terem de ouvir que usar preservativo é pecado? Anti-natural é adotar um cão e não lhe dar a atenção e conforto devidos!
“Cães castrados param de levantar a perna para fazer xixi”
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Isso depende da idade do cão ao ser castrado e se ele ainda não havia começado a erguer a perna – ou seja, fazer xixi em locais os mais altos possíveis para marcar o máximo de território.
Enfim, castrar ou não o peludo é uma decisão que cabe ao dono, e deve ser pensada de acordo com todas as circunstâncias, da idade do bicho à presença e temperamentos de outros cães. O importante é não “castrar” a felicidade e bem-estar do canino e de quem convive com ele.
Fonte: Yahoo
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