quinta-feira, 12 de maio de 2016

O animal que é imune ao câncer


O câncer é algo comum no reino animal. E para algumas espécies, a taxa de mortalidade é semelhante àquela apresentada entre os seres humanos que sofrem da doença.

Nossos cães e gatos são um exemplo de bichos que podem apresentar diversas formas de câncer, e estão em risco se são fumantes passivos, por exemplo.
Mas animais selvagens também são afetados. Muitos demônios-da-Tasmânia, um marsupial endêmico da Austrália, sofrem com tumores faciais devastadores que passam de uma espécime a outra pelo contato físico.
A poluição dos oceanos também representa um problema. Uma população de leões-marinhos da Califórnia é conhecida por apresentar câncer urogenital, em parte por causa disso.
No estuário do rio São Lourenço, no Canadá, o câncer de intestino é a segunda causa mais comum de morte de belugas. E, apesar do mito de que tubarões são imunes ao câncer, eles podem desenvolver o melanoma.
Mas há exceções 
Alguns poucos animais não apresentam câncer com frequência – e outros, nunca. Entender por que isso acontece pode nos ajudar na prevenção e no tratamento dessa doença.
O câncer ocorre quando uma célula aparentemente normal cresce descontroladamente. Normalmente, células velhas ou danificadas são destruídas. Mas às vezes uma delas continua a se reproduzir, criando cada vez mais células “ruins”. O resultado disso é um tumor.
Em tese, trata-se de um simples jogo de números: quanto mais células em um organismo e quanto mais ele vive, mais chances de que uma dessas células acabe sucumbindo a alguma mutação aleatória.
Mas nem todas as células são igualmente sujeitas ao câncer. Os elefantes, por exemplo, têm trilhões de células a mais do que nós e vivem muito. Mas apresentam uma baixa incidência de câncer – apenas 5% deles morrem da doença, enquanto ela mata uma em cada cinco pessoas.
Parte da explicação para isso acaba de vir à tona. Cientistas revelaram que o genoma do elefante contêm várias cópias de um gene conhecido por combater o câncer – enquanto temos apenas um exemplar desse gene, os elefantes têm 20.
Segundo Vincent Lynch, da Universidade de Chicago, esse gene atua em duas frentes: primeiro, impedindo que uma célula defeituosa se multiplique, dando a ela tempo para se “consertar”; segundo, se isso não ocorrer, o gene a impele a se auto-destruir.
“Em teoria, poderíamos desenvolver medicamentos que imitam esse processo dos elefantes”, afirma Lynch. Um desses remédios, chamado Nutlin, está sendo testado atualmente.
A incidência de câncer é surpreendentemente menor ainda entre populações da chamada baleia-da-Groenlândia, um dos maiores e mais longevos animais do mundo.
Cientistas que analisaram o genoma dessa espécie descobriram mutações que ajudam a impedir danos no DNA, protegendo-as do câncer.

Imune a tumores

Mas talvez seja o caso de um roedor o que mais surpreendeu os cientistas. Em geral, os ratos são extremamente suscetíveis à doença, apesar de viverem pouco tempo e terem menos células do que nós.
Mas o rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glabe) oferece esperança para futuros tratamentos para o câncer.
Trata-se de um animal estranho, com a pele enrugada, sem pelos e com dentes incisivos enormes. Eles vivem até os 30 anos, muito mais que outros bichos do mesmo porte.
Além disso, eles são dotados de um mecanismo natural de defesa contra o câncer. Em décadas de observações, nunca um desses roedores foi vítima de um tumor.
Em 2013, a equipe de Vera Gorbunova, da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, descobriu que o rato-toupeira-pelado produz uma molécula especial que o impede de desenvolver tumores.
Trata-se de uma substância espessa e açucarada chamada ácido hialurônico, encontrada nos espaços entre as células do animal.
Mesmo se essas células sofrerem mutações, a susbtância impede que elas se multipliquem, como um escudo protetor.
Segundo Gorbunova, o ser humano também produz o ácido hialurônico, mas em uma versão ligeiramente diferente. “Estamos explorando novas maneiras de regular a produção dessa molécula e estimulá-la em humanos”.
Mas, por enquanto, ainda não se sabe se esses tratamentos vão funcionar bem entre seres humanos.
Para o oncologista David Vail, da Universidade de Wisconsin, deve haver um motivo para apresentarmos menos ácido hialurônico do que os ratos-toupeiras-pelados. “Pode ser que um alto nível dele seja tóxico para nós, por exemplo”, afirma.
O mesmo vale para a manipulação genética, pois um gene que ajuda um animal a combater o câncer pode causar outras doenças em humanos.
Mesmo assim, pesquisadores continuam com seus trabalhos na esperança de encontrar soluções para a doença. “Precisamos entender a biologia básica, senão não há maneira de intervir quando as coisas derem errado”, diz Lynch.
Fonte:

Saúde Animal: saiba como tratar a obesidade do seu pet

Se, para nós, uma alimentação desequilibrada aliada ao sedentarismo, já é ruim o suficiente para a balança e a saúde, com os pets não é muito diferente. Por mais que possamos achar fofinho nossos animais de estimação que estão acima do peso, a obesidade vem acompanhada por uma série deriscos, como a propensão à diabetes, problemas cardíacos e respiratórios, dificuldade de locomoção e dores nas articulações. Há, também, animais que ficam sedentos e completamente sem resistência para pequenos passeios e brincadeiras.
Muitos tutores só percebem que seu pet está obeso quando a situação já está grave. Por isso, o proprietário deve estar sempre atento para as mudanças comportamentais e alterações na conformação corporal do animal. A obesidade animal nada mais é do que o acúmulo excessivo de gordura nas zonas de depósito de tecido adiposo. Um excesso de peso igual ou superior a 20% do normal indica, geralmente, obesidade. A melhor forma de identificar se o animal está com excesso de peso é observando-o. Se o corpo estiver muito arredondado, apresentando um acúmulo excessivo de gordura, principalmente, no tórax, cintura e base de cauda, e se as costelas não estiverem visíveis e fáceis de apalpá-las, é hora de tomar as primeiras providências e abandonar velhos hábitos. Alguns sintomas também facilitam a indicação do quadro de obesidade como quando o animal pede comida várias vezes ao dia, não gosta de praticar exercícios, apresenta dificuldade para caminhar e dorme muito.
Um programa bem sucedido de emagrecimento é um processo composto por várias etapas e exige, além do comprometimento do proprietário do animal, um plano nutricional, um programa de exercícios físicos e o monitoramento metabólico e hormonal do paciente, tudo acompanhado por um médico veterinário. Veja a seguir algumas medidas que podem ser adotadas para tratar o problema:
Dieta alimentar - ao levar seu animal ao veterinário, este poderá ajustar o cardápio de forma a proporcionar o emagrecimento saudável do seu pet. O ideal é que ele faça três refeições ao dia, em porções de acordo com a raça do animal, para adquirir todos os nutrientes necessários para seu crescimento e não ganhar peso em excesso, havendo um intervalo entre as refeições. O veterinário também poderá receitar uma dieta à base de ração especial;
Exercícios - em estudos realizados com pessoas e animais, observou-se que, durante um exercício físico moderado, mas significativo, a ingestão calórica varia proporcionalmente com o gasto energético, enquanto que a diminuição da atividade até um nível de sedentarismo produz aumento da ingestão alimentar e ganho de peso. Entre as formas de exercício recomendadas, encontra-secaminhar, correr, atirar objetos para que os recolham ou vários tipos de brincadeiras. O importante e efetivo é que o exercício seja realizado de forma contínua durante toda a vida do animal. Os exercícios serão recomendados pelo médico veterinário, conforme o estágio de obesidade do seu pet, já que ele pode ter dificuldade, no início, para se exercitar e não deve haver excessos. O ideal é começar aos poucos e ir aumentando gradualmente à distância percorrida, hidroterapia também é um exercício bem interessante;
Controle hormonal - se, mesmo com a dieta e os exercícios ele continuar com sobrepeso, valer fazer um acompanhamento metabólico com o seu veterinário, para analisar os níveis hormonais, de colesterol e de triglicérides.
O tratamento para perda de peso não é fácil. Para obtermos resultados satisfatórios, você precisa se engajar e seguir os procedimentos indicados pelo veterinário do seu pet, induzindo um emagrecimento seguro e eficaz. Para um melhor diagnóstico, é importante a realização de um exame completo, visando assim avaliar a presença de ascite, edema, doenças da tireoide, doenças das adrenais ou diabetes.
Por Gabriela Giraldi
Fonte:

Parabéns a todos os Enfermeiros!



Dia do Enfermeiro em 12 de maio de cada ano, é uma comemoração de brasileiros, que está relacionada com o "Dia Internacional dos Enfermeiros" ou "International Nurses Day", e que foi instituída pelo Decreto Nº 2.956 de 10 de agosto de 1938, a partir do qual se manda que nessa data comemorativa sejam prestadas em todos os hospitais e escolas de enfermagem do Brasil, homenagens especiais à memória da enfermeira brasileira, Ana Neri [Ana Justina Ferreira Neri], quando também se inicia a "Semana da Enfermagem" no Brasil.

Para conhecimento, Ana Neri se destacou como enfermeira voluntária durante a "Guerra do Paraguai" ou "Guerra da Tríplice Aliança", com um inestimável trabalho para o Brasil durante o confronto.

Na condição de viúva do capitão-de-fragata do Brasil, Isidoro Antônio Néri, viu seus familiares mais próximos serem convocados para a "Guerra do Paraguai" e solicitou ao presidente da Provincia da Bahia autorização para acompanhar os filhos e o irmão, ou pelo menos prestar serviços voluntários nos hospitais do atual Estado brasileiro do rio Grande do Sul, no que foi atendida. Embarcou na cidade brasileira de Salvador-BA em agosto de 1865 com a tropa do 10º "Batalhão de Voluntários da Pátria", na qualidade de enfermeira voluntária.

Durante toda a campanha, essa abnegada enfermeira prestou serviços ininterruptos nos hospitais militares de Salto, Corrientes, Humaitá e Assunção, além de hospitais da frente de operações.
Naquelas condições difíceis de então, ela organizou os hospitais de campanha e enfrentou o caos da saúde no país, quando as doenças proeminentes da época eram a Cólera, a febre tifóide, a disenteria, a malária e a varíola. A 1ª enfermaria organizada por ela, foi montada às suas expensas e em sua própria casa, na atual cidade e capital paraguaia de Assunção. Metodizou as tarefas em busca da eficácia, com a alma e olhos humanitários voltados indistintamente, tanto para os cuidados dos combatentes daTríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina), quanto para os soldados do invasor Paraguai.
A enfermeira Ana Neri conseguiu transformar a realidade sanitária local, impondo condições mínimas de higiene, para que doenças não se alastrassem e feridas fossem tratadas. Na luta pela recuperação dos pacientes eram usados recursos da época como iodo, cloreto de potássio, água fenicada e cauterização, além de beberagens de plantas medicinais.

Ana Neri é considerada a 1ª pessoa brasileira não-religiosa a dedicar-se aos cuidados com a saúde de uma comunidade ou população, considerada a 1ª enfermeira do Brasil.
Por isso, ela foi homenagiada com a "Medalha Geral de Campanha" e a "Medalha Humanitária" de 1ª classe, além de também ser laureada com uma pensão vitalícia pelo então imperador do Brasil, Dom Pedro II.

A data comemorativa internacional foi estabelecida em 1974 pelo ICN [Conselho Internacional dos Enfermeiros ou "International Council of Nurses"], e tem por fim, marcar a data do aniversário do nascimento da enfermeira e estatística inglesa e pioneira da enfermagem nascida na Itália, Florence Nightingale, que veio ao mundo em 12 de maio de 1820, e que é tida como a fundadora da enfermagem moderna, tendo ganho notoriedade por seu trabalho pioneiro em enfermagem durante a "Guerra da Crimeia", onde ela atendeu a soldados feridos e foi apelidada de "a Dama da Lâmpada" ou "The Lady with the Lamp", por seu hábito de fazer rondas à noite

Florence Nightingale terminou por contrair uma doença paralisante aos 35 anos de idade, que praticamente a prostrou numa cama pelos cerca de 50 anos restantes de sua vida. Segundo se conta, por conta da doença, quando tinha de receber pessoas importantes, que vinham em busca de conselhos ou para homenageá-la em seu quarto, Ela exigia que as luzes fossem mantidas com baixa luminosidade, e aceitava apenas um visitante por vez.

Apesar da doença incapacitante, Florence Nightingale ainda fundou a 1ª escola de enfermagem de que se tem notícia na história mundial, além de ser creditada a ela, a inspiração para o banqueiro e filantropo suíço, Jean Henry Dunant, na criação da Cruz Vermelha ou Red Cross", uma instituição humanitária para os tempos de guerras, surgida para prevenir e aliviar o sofrimento humano, sem qualquer discriminação de nacionalidade, raça, credos religiosos, orientação sexual, de classe ou opiniões políticas, e que normalmente atua prestando importantes serviços de socorro durante as várias discórdias da humanidade.

Florence Nightingale também passou 35 anos lutando por justiça para os soldados doentes da "Guerra da Crimeia", e é creditada como responsável pela instalação do 1º elevador em hospitais, então para que no transporte de macas, não fossem agravados os ferimentos de soldados queimados e quebrados pela guerra, e pela instalação de um posto central de enfermagem em cada andar, com cabos ligados a sinos que deveriam ser puxados pelos pacientes nos casos de necessidade e solicitação de ajuda, [hoje substituídos por campainhas e equipamentos do gênero], para facilitar o atendimento aos doentes, conforme consta num livro do Médico canadense especializado em encefalomielite miálgica, Byron Marshall Hyde.

A história de vida de Florence Nightingale também inspirou o executivo norte-americano de publicidade e vendas, além de paciente de Doença Neurológica Crônica E Imunológica, Tom Hennessy [Thomas Michael Hennessy JR], a iniciar em 1992, o "Dia Internacional de Conscientização sobre Doenças Neurológicas Crônicas E Imunológicas" ou CIND: "International Awareness Day for Chronic Immunological and Neurological Diseases" [também conhecido como "Dia Mundial da Fibromialgia e da Síndrome de Fadiga Crônica" ou "World Day of Fibromyalgia and Chronic Fatigue Syndrome"].

Fontes:

www2.camara.leg.br/…
phoenixrising.me/…
en.wikipedia.org/…

Fonte: http://datascomemorativas.org/dia-do-enfermeiro-12-de-maio/#content

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Governo libera entrada no Brasil de viajantes com produtos de origem animal

Turistas e tripulantes poderão, a partir de agora, entrar no Brasil com produtos de origem animal, que incluem queijos, manteiga, doce de leite e salames. Os produtos foram classificados como “de risco insignificante” para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que divulgou a decisão nesta quinta-feira (10), por meio de instrução normativa. A medida visa melhorar o processo de fiscalização, com foco em produtos de maior risco. 
Os produtos autorizados serão limitados a 5 quilos por pessoa, devendo estar acondicionados nas embalagens originais e com rótulos que permitam sua identificação e origem. Os alimentos foram divididos em seis grupos: cárneos industrializados destinados ao consumo humano; lácteos industrializados, como doce de leite, leite em pó, manteiga e requeijão; produtos derivados do ovo; pescados; produtos de confeitaria que contenham ovos, lácteos ou carne em sua composição; além de produtos de origem animal para ornamentação.
Antes, por falta de regulamentação, apenas os produtos de origem vegetal eram autorizados a entrar no país.
Atuação do médico veterinário
Os médicos veterinários atuam como fiscais federais agropecuários, realizando controle em portos, aeroportos e postos de fronteira. A inspeção e fiscalização sanitária de produtos de origem animal pelo médico veterinário faz parte de suas atribuições e devem ser realizadas em locais de produção, manipulação, armazenagem e comercialização.
Assessoria de Comunicação com informações do Mapa
Fonte:

Portaria regulamenta regras para estabelecimentos e serviços veterinários

Foi publicada a nova portaria que regulamenta as condições higiênico-sanitárias e boas práticas de estabelecimentos e serviços veterinários. 

Confira o texto da portaria aqui.

Imunização contra a febre aftosa faz parte da preocupação com a Saúde Única

A imunização do rebanho de forma correta e nas datas previstas no calendário nacional de vacinação é fundamental para o combate à febre aftosa.
O médico veterinário está presente em várias etapas dessa campanha e seu trabalho é essencial para o cumprimento das metas de erradicação da doença no país.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou o calendário oficial de vacinação em 2016. Confira aqui a data de vacinação no seu estado.
Também é importante o preenchimento da declaração de vacinação e a entrega do documento no serviço veterinário oficial do estado, junto com a nota fiscal de compra das vacinas.
Confira abaixo as perguntas e respostas elaboradas pelo Ministério da Agricultura para tirar dúvidas sobre a febre aftosa. Clique aqui para conferir mais informações no  folder da campanha.
O que é a febre aftosa?
 É uma doença altamente contagiosa e se espalha rapidamente. Os animais têm febre, aftas na boca, nas tetas e entre as unhas, se isolam dos outros, babam, mancam, arrepiam o pelo e param de comer e beber.
Quais os animais que podem ser afetados pela febre aftosa?
Bovinos, búfalos, caprinos, ovinos, suínos e animais silvestres que possuem casco fendido (duas unhas).
Como a febre aftosa é transmitida?
O vírus está presente na saliva, no líquido das aftas, no leite e nas fezes dos animais doentes. Qualquer objeto ou pessoa que tenha contato com essas fontes de infecção se torna um meio de transmissão para outros rebanhos. A transmissão para humanos é raríssima.
Quais os efeitos da febre aftosa?
A doença pode ser fatal em animais jovens. Os animais afetados não conseguem se alimentar e enfraquecem muito, com perda severa de produção de leite e carne. O principal efeito da doença é comercial. Devido ao seu alto poder de difusão, os países estabelecem barreiras comerciais às regiões onde ocorreu Aftosa, causando sérios prejuízos econômicos e sociais.
O que fazer em caso de suspeita da doença?
Qualquer pessoa que verifique os sintomas nos animais deve comunicar imediatamente ao serviço veterinário oficial. Um veterinário oficial fará inspeção dos animais e tomará as providências necessárias.
Como a doença é controlada?
A vacinação é fundamental na erradicação e prevenção da Aftosa. Se confirmada a doença, a principal forma de controle é o isolamento e sacrifício de animais doentes, e eliminação de fontes de infecção. Quanto mais rápido for detectada a doença, mais rápida será a contenção e menores os prejuízos
Assessoria de Comunicação do CFMV com informações do Ministério da Agricultura

Toxoplasmose - Sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento


A toxoplasmose é uma doença infecciosa causada por um parasita, Toxoplasma gondii, muito comum no meio ambiente, responsável pela cocidiose dos gatos e felinos silvestres. É uma zoonose que afeta mais de 200 espécies animais entre mamíferos e aves. Está entre os dez principais agentes transmitidos pela ingestão de alimentos contaminados no mundo. Estima-se que 1/3 da população humana esteja infectada pelo Toxoplasma atualmente.
Como eu pego toxoplasmose?
O Toxoplasma gondii apresenta um ciclo biológico de vida com várias formas evolutivas (Figura 1) utilizando dois tipos de hospedeiros: o chamado definitivo que são felídeos, ou seja, gatos e felinos silvestres (gato do mato, onça, lince, tigre e outros); e os intermediários, como roedores, cães, suínos, ovinos, caprinos, aves domésticas, e até mamíferos aquáticos. Em cada um dos tipos de hospedeiros, o parasita assume formas diferentes que poderão dar origem à infecção. No intestino dos felídeos, estas formas são excretadas pelas fezes e por não serem facilmente destruídas no meio ambiente, podem permanecer vivas em ambientes úmidos como terra, solo, areia, baia, pastagem, jardim, e também nos alimentos que entrarem em contato com fezes desses animais infectados, incluindo água. Quando o animal ou o homem ingerem alimento e água ou tiverem contato com materiais ambientais contaminados com fezes de animais infectados; estas formas se transformam em cistos que se multiplicam alojando-se nos músculos, no globo ocular, no sistema nervoso; provavelmente pelo resto da vida do indivíduo, o que caracterizará a infecção crônica. Ocorre também como doença ocupacional para médicos veterinários e profissionais de que lidam com animais domésticos, rebanhos de produção e nos abatedouros, tanto pelo contato direto com animais ou com as suas excreções. Durante a gestação, podem atravessar a placenta e atingir o feto causando más formações e/ou abortamento. Em cerca de 40% dos fetos de mães que adquiriram a infecção pela via transplancentária durante a gravidez nascem com toxoplasmose ou seqüelas de infecção. A transmissão direta entre pessoas não ocorre, porém é possível na transfusão de sangue e transplante de órgãos. Crianças que brincam em tanques de areia em parques e escolas onde passeiam gatos errantes que ali defecam, podem vir a adoecer com toxoplasmose. A maior ocorrência de casos humanos se dá principalmente pela ingestão de carne crua e mal cozida de suínos e ovinos e de leite de cabras, quando infectados ou doentes. Os sintomas aparecem após 10 a 23 dias da ingestão desses alimentos; de 5 a 20 dias, após ingestão acidental de fezes de gatos. Nos animais domésticos, gatos e cães, a toxoplasmose ocorre pela ingestão de cistos presentes em carne crua ou por via transplacentária. A toxoplasmose em animais de produção ocorre necessariamente pela coabitação com gatos e felinos selvagens.

Quais são os sintomas da toxoplasmose nos animais?
Geralmente, os animais não apresentam sinais clínicos evidentes, ou podem ser muito variados, como febre, gânglios inflamados e doloridos (ínguas), pneumonia, encefalite, convulsões e abortamentos. Não foram ainda descritos casos clínicos de toxoplasmose em bovinos. Nos cães e nos felinos, pode aparecer juntamente com outras doenças, como a cinomose e leucemia felina respectivamente. Nos ovinos, caprinos e suínos, além das manifestações citadas, está associada aos transtornos reprodutivos, como abortamento e nascimento de animais fracos.

Quais são os sintomas da toxoplasmose nos seres humanos?
A toxoplasmose apresenta manifestações variadas, sem sintomas e benigna até generalizada e extremamente grave, principalmente em pessoas com tumores, em tratamento de quimioterapia ou com HIV. Os cistos do Toxoplasma gondii persistem por período indefinido neste tipo de paciente, que a qualquer momento pode vir a óbito. Febre, gânglios inflamados e doloridos (ínguas) principalmente no pescoço, diarreia, pneumonia, miocardite, inflamação intensa dos músculos, hepatite, encefalite e erupções na pele podem ser observados. Esse quadro pode persistir de uma semana a um mês, devendo-se realizar o diagnóstico diferencial com mononucleose infecciosa. A inflamação da retina (olhos) por toxoplasmose é a lesão mais frequente, e em 30% a 60% dos pacientes acometidos ocorre a perda progressiva de visão, algumas vezes chegando à cegueira. A doença em crianças pode apresentar-se de três maneiras: congênita (transmitida pela mãe ao feto durante a gestação), adquirida e ocular. Uma vez que a mãe pode não apresentar sintomas, o acompanhamento pré-natal da grávida é fundamental para imediato tratamento. No bebê, a toxoplasmose congênita, pode manifestar-se basicamente de quatro formas: já ao nascer; nos primeiros meses de vida, sendo grave ou discreta; como reativação de infecção uterina não diagnosticada; ou como infecção subclínica, isto é, sem sintomas ou discretos. Os sintomas, na forma congênita, podem ser neurológicos ou generalizados. Quando a infecção ocorre no início da gestação, são observadas calcificações intracranianas, problemas de visão, convulsões, microcefalia, hidrocefalia e retardo mental. A forma generalizada é resultante de infecção fetal mais tardia na gestação e apresenta, além das alterações anteriores, o aumento do fígado e do baço, gânglios inflamados e doloridos (ínguas) espalhados pelo corpo, icterícia (amarelão) e anemia. Alguns lactentes podem permanecer sem sequelas da infecção ou desenvolver estrabismo, retardo neuropsicomotor, hidrocefalia, convulsões e surdez em meses ou mesmo anos após o nascimento. O diagnóstico diferencial da toxoplasmose no recém-nascido deve ser realizado com Zica vírus, citomegalovírus, vírus Herpes simplex, vírus da rubéola, T. pallidum (lues), Listeria monocytogenes, Borrelia burgdorferi, além da eritroblastose fetal e doenças degenerativas. O acompanhamento médico é fundamental.

Diagnóstico
O diagnóstico da toxoplasmose não é fácil, pois ocorrem sinais clínicos variáveis, a confirmação depende dos exames laboratoriais. Vários são os exames laboratoriais a partir do sangue, liquido cefalorraquidiano, saliva, secreção nasal e ocular empregados para se confirmar a toxoplasmose. Entretanto, são os testes sorológicos os mais empregados, pois permitem a detecção de anticorpos que podem auxiliar na diferenciação da fase da infecção. No Brasil, tem-se notado o aumento no número de notificações de problemas oculares em crianças e adultos sadios com toxoplasmose crônica, sendo as lesões de retina as mais frequentes. Exames oftalmológicos de rotina associados com as outras técnicas mencionadas auxiliam no diagnóstico diferencial da enfermidade.

Como prevenir a toxoplasmose?
O controle da toxoplasmose é dificultado pela elevada capacidade do parasito em se adaptar a ambientes urbanos ou rurais, proporcionando a manutenção do seu ciclo de vida e aumentando as chances de infecção acidental de seres humanos e animais. A principal e mais frequente forma de contaminação para seres humanos é a via oral. A prevenção se faz evitando o consumo de carnes suína, ovina, caprina ou de caça cruas ou mal cozidas; ingestão de leite não pasteurizado; de vegetais mal higienizados; e água não tratada.

O uso de luvas é fundamental durante procedimentos e avaliação clínica dos animais, na limpeza dos ambientes e contêineres de dejetos evitando o contato com fezes. Quando do recolhimento de animais abandonados e errantes fazer uso de equipamentos de proteção individual, nunca colocá-los imediatamente junto ao convívio da família e de outros animais sem que haja uma prévia consulta da médico veterinário.

O gato sadio, castrado, vermifugado e devidamente assistido pelo médico veterinário, raramente se constitui em uma fonte de infecção para a toxoplasmose e demais zoonoses. Nas propriedades rurais, o acesso de felídeos aos comedouros e bebedouros dos animais de produção deve ser evitado. No Reino Unido e França há uma vacina comercial disponível para ovinos e que demonstra eficácia para suínos, porém não testada ou regulamentada para uso no Brasil.

No acompanhamento médico pré-natal das mulheres gestantes, o exame de toxoplasmose é obrigatório. Alguns países obtiveram sucesso na prevenção da contaminação intrauterina fazendo testes laboratoriais em todas as gestantes. Em pessoas com deficiência imunológica, a prevenção pode ser necessária com o uso de medicação dependendo de uma análise individual de cada caso.

Como tratar a toxoplasmose?
O tratamento curativo para toxoplasmose baseia-se em coccidiostáticos, que dificultam a multiplicação do parasita, mas não eliminam a infecção crônica. A suspeita clínica de exposição aos fatores de risco é de suma importância para o médico.

Podem ser realizados protocolos terapêuticos em gestantes com a enfermidade, porém as dosagens variam conforme o medicamento e o indivíduo, o papel do médico é fundamental na condução do caso. Não existe vacina para humanos.

O diagnóstico humano conta com o serviço do Ambulatório de Zoonoses do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, na capital paulista. O endereço é: Avenida Dr. Arnaldo, 165 – Prédio dos Ambulatórios - Pacaembu. O contato telefônico pode ser feito pelo número (11) 3896-1200. As consultas podem ser agendadas por telefone ou pelo site http://www.emilioribas.sp.gov.br/. Os trabalhos são coordenados pelo Dr. Marcos Vinicius da Silva (marcos.silva@emilioribas.sp.gov.br).

Também contam com grupos de estudo, diagnóstico e apoio ao tratamento humano (itens 1 e 2) e animal (3 e 4) as seguintes entidades:

1-Instituto de Medicina Tropical, Universidade de São Paulo, Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 470, Telefone: (11) 3061-7010. Site: www.imt.usp.br

2-Instituto Adolfo Lutz, Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, Av. Dr. Arnaldo, 355, Telefone (11) 3068-2876. Site: www.ial.sp.gov.br

3-Instituto Biológico, Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Telefone: (11) 5087-1772. Site: www.biologico.sp.gov.br

4-Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87, Telefone (11) 3091-7701. Site: www.fmvz.usp.br


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