sábado, 19 de dezembro de 2015

Estamos em época das festas e alguns de nossos amigos cães ficam desesperados com fogos de artifício


 


 
A audição do cão é o seu segundo sentido mais desenvolvido, depois do olfato. Ele consegue escutar sons quatro vezes mais distantes do que ouvimos e, principalmente, os sons agudos. Por isso, é muito comum que ele perceba sons de fogos de artifícios ou trovões que ainda nem escutamos ou que passam despercebidos aos nossos ouvidos.

Independente da raça ou da idade, praticamente todos eles não gostam e tem grande desconforto com os sons de fogos de artifício e trovões de chuvas. Muitos ficam desesperados nessas horas, podendo causar acidentes como fugir desesperadamente, se jogar em portas de vidro, tentar se esconder debaixo de móveis, iniciar brigas com outros cães etc.


A nossa primeira reação ao perceber que nosso amigo tem medo é abraçá-lo e protegê-lo, mas isso é tudo que você não deve fazer. Ao fazer isso você está reforçando o medo e dizendo que você pode protegê-lo e, assim, toda vez que isso acontecer (barulhos de fogos ou simplesmente trovões), ele vai querer ficar com você, na sua cama ou no seu colo. Isso pode causar sérios acidentes e muito desespero para ele quando ficar sozinho em casa, longe da sua segurança. 


O que devemos fazer é distrai-lo e mostrar que o barulho não vai fazer nada com ele. Ligar o som ou televisão e iniciar brincadeiras podem ajudar a distraí-lo e fazer com que esqueça o barulho. Com o tempo, ele deve se acostumar com isso por mais desagradável que seja esse som aos seus ouvidos.

Se você tem um filhote, fica mais fácil controlar essas fobias através dos ensinamentos acima. Em cães mais velhos e já adultos, fica mais difícil e você pode precisar de ajuda profissional e, às vezes, uso de medicamentos para treiná-lo e diminuir esses sinais. 


Cuidados especiais devem ser tomados caso o seu animal seja epilético (apresenta convulsões e toma remédios para controlar o problema). 

O cão deve ser Prontamente atendido e medicado com anticonvulsivantes 

Nesses casos, mantemos o animal internado por pelo menos 24 horas para garantir que o problema não se repita.

Se o seu animal é epilético, converse com o seu Médico Veterinário sobre dicas para evitar crises de convulsão, mas caso isso venha a acontecer, você deve procurar atendimento imediatamente.


Fonte:





Dicas - Evite acidentes com seu pet no natal


Photo credit: discgolfer1138 / Foter / CC BY

O natal está chegando e muitas casas já estão decoradas para esse momento. Árvores, bolas, luzes, entre outros enfeites, deixam o ambiente mais alegre e bonito. No entanto, quem tem um pet em casa, principalmente cães e gatos, precisa ficar atento para que eles não se machuquem, ingiram algum enfeite ou até levem choque com os fios dos pisca-piscas.

A adestradora da equipe Cão Cidadão, Thaís Oliveira, explica que é possível ter a casa enfeitada para o natal e manter o pet em segurança. Mas, para isso, o dono precisa tomar alguns cuidados. Confira, abaixo, as orientações da especialista!

O ideal é montar a árvore em um local onde seu pet não consiga entrar. Mas se isso não for possível, procure restringir o acesso do bichinho quando você não está por perto para supervisioná-lo.

Passe spray repelente nos locais onde ele não pode mexer, por exemplo, nos fios dos pisca-piscas.

Para evitar que o pet mexa nos enfeites e fios por tédio, ansiedade ou falta do que fazer, sempre deixe a disposição dele brinquedos e atividades como enriquecimento ambiental. Além disso, realize passeios frequentes com o animal.

Ofereça petiscos e a alimentação do seu amigão dentro de brinquedos interativos, para que ele se distraia e gaste energia.

Seguindo essas dicas você terá um natal tranquilo e seguro ao lado do seu pet!


Fonte:

O verão está aí - Confira alguns cuidados simples, mas que podem mudar a vida do seu bichinho de estimação.

Cuidados no Verão

O verão está aí, e quem tem um cachorro precisa tomar alguns cuidados. Você sabia que no calor excessivo do verão, os animais – assim como as pessoas – precisam de alguns cuidados especiais para não adoecer? São cuidados simples, mas que podem mudar a vida do seu bichinho de estimação.
O que é necessário saber é que os cães não suam como os humanos. A respiração é a forma que eles têm para controlar o processo de refrigeração e manutenção da temperatura do corpo. Por isso, se os cães são submetidos a calor intenso ou situações de estresse, eles podem não ter condições de se resfriar e entrarem em um processo de hipertermia – ou seja, temperatura alta demais, que pode chegar a 42 graus, com risco de vômitos, coagulação do sangue, edemas pulmonares, paradas cardíacas e até mesmo coma.
Cachorros com o focinho curto – como buldogues, pugs, shitzus, entre outras raças – precisam de mais cuidados por sofrer mais com as altas temperaturas, justamente por causa da anatomia do focinho menor. Eles têm mais dificuldades de respirar e, assim, perder calor para se resfriar.
Confira as dicas de cuidados básicos dados pelo 6 Patas que devem ajudar você a proteger o seu cachorro dos males da estação.
Água
É muito importante que você troque a água constantemente do seu cãozinho no verão. Mais do que gostar, ele necessita de uma água fresca e limpa. E caso você precise sair, não se esqueça de deixar outros potes de água disponíveis. Nesta época do ano, assim como nós, eles sentem mais sede e com isso bebem mais água.
Passeio
Cuidado com os horários em que você leva o seu cachorro para passear. É importante você prestar atenção no calor do chão. Assim como nossos pés, as almofadinhas das patas do animal também queimam no asfalto e no cimento das calçadas, o que pode provocar bolhas e, consequentemente, feridas. É preciso tomar cuidado.
Pulgas e parasitas
Durante o verão, é comum a proliferação de pulgas e infestação de carrapatos. Nesse período, coloque coleiras antipulgas e antiparasitários.
Chuvas
Com o verão vem o período de chuvas e, com ela, o aumento de incidência de leptospirose. É recomendado cuidado para que o animal não tenha contato com água de enchentes e alagamentos. Para prevenir esse tipo de doença, o animal deve estar vacinado regularmente com a V8 ou a V10.
Ajude
Com as altas temperaturas muitos animais de rua passam sede. Nessa época, dê água para um cachorro que não tem dono. Basta colocar um potinho de água limpa na calçada, em frente à sua casa, por exemplo. Você vai ajudar mais do que imagina.
Fonte:

Fique atento para a quantidade e a qualidade de água que seu cão ingere

Todo mundo sabe da importância da água para a saúde humana e com os cães não é diferente. Cerca de 80% do corpo dos nossos bichinhos é feito desse líquido e, por isso, ingerir a quantidade certa para o dia é fundamental para que eles mantenham uma vida saudável. Confira se você está hidratando o seu cachorro na medida certa e saiba a melhor forma de fazer isso.
©Shutterstock 

A água não serve apenas para matar a sede dos cães. Assim como os humanos, esses bichinhos também estão suscetíveis a problemas renais ocasionadas pela desidratação. Sabendo que essa é uma parte tão importante da saúde do seu melhor amigo, vale ficar atento para a quantidade e a qualidade dos líquidos que ele anda ingerindo.

Quanta água você deve dar para seu cachorro?

A quantidade ideal de água varia muito de cão para cão e quanto maior for o peso do bichinho, mais líquido ele vai precisar ingerir. O ideal é que o animal beba 600 ml de água para cada 10kg de peso corporal: um Chihuahua, por exemplo, que tem peso médio de 3kg, deve ingerir um mínimo de 180ml por dia. Já um São Bernardo, que pode chegar a até 90kg pode precisar de mais de 5L de água por dia para se manter hidratado.

Dicas do veterinário:

- Normalmente água tem que ficar livre, em pote grande ou em vários potes se forem vários animais.

- Mantenha a água fresca, trocando e limpando o pote diariamente.

- Para estimular o animal a se hidratar em dias quentes, coloque pedras de gelo no pote com água.

- Frutas têm bastante água. Para cães que não gostam de ingerir a quantidade apropriada diariamente, é interessante oferecer alimentos como a melancia ou até mesmo a água de coco (que é mais docinha).

Fonte:



7 fatos surpreendentes sobre animais


Estamos vivendo uma extinção em massa. As causas vão da mudança climática e superpopulação à caça furtiva. O mundo industrializado que criamos está se aproximando rápido dos animais e ainda há uma série de coisas misteriosas que não sabemos a respeito deles.
Para o conservacionista marinho Carl Safina, os cientistas, por um longo tempo, têm abordado o estudo de animais a partir de um ângulo prejudicial, que encara inclusive uma certa competição entre eles e a espécie humana.

Assumir que outros animais têm pensamentos e sentimentos foi um bom começo para uma nova ciência.
O estudo de animais foi por um longo tempo também um estudo de arrogância humana, um exercício de realização de nossa própria suposta superioridade. Felizmente, isso está começando a mudar. O livro de Safina (“Beyond Words – What Animals Think and Feel”, ou “Além das Palavras: o que os animais pensam e sentem”, em tradução livre) trabalha para derrubar a nossa compreensão limitada sobre o que os animais são capazes de fazer.

Os seres humanos não são a medida de todas as coisas

Se você for mais a fundo na literatura especializada, vai descobrir que certos animais possuem algumas habilidades cognitivas que os próprios seres humanos não possuem.
Em seu livro, Safina escreve que orcas e golfinhos parem ser capazes de ler mentes. Ele também escreve sobre dois chimpanzés machos que foram vistos de mãos dadas olhando o pôr do sol juntos na Tanzânia. Parecem evidências bastante interessantes para considerarmos uma outra abordagem, não?
Para o doutor em ecologia, a diferença entre seres humanos e animais nunca realmente existiu. Para ele, nós sempre fomos basicamente a mesma coisa.

1. Diferenças na comunicação não são desculpa

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É fácil usar nossa incapacidade de nos comunicar com os animais como prova de que suas vidas interiores são menos complexas do que as nossas. Quão importante são as palavras, realmente?
Menos do que nós pensamos. A maioria de nossa empatia e muitos dos nossos pensamentos ocorrem sem palavras, e nossa capacidade viver o dia a dia ocorre sem palavras. Se você está dirigindo, você não diz “Oh, há um outro carro ali”, você simplesmente vê o carro e
responde a ele.
Pensamos que estamos constantemente usando palavras para tudo, mas realmente, nós fazemos muitas coisas sem elas. O mesmo, de acordo com Safina, se aplica aos animais. Provavelmente, a forma como eles experimentam o amor, a raiva, o medo e outras tantas emoções que não existem nem palavras para definir é muito semelhante a forma como fazemos isso.

2. Os animais também são “indivíduos”

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Um “indivíduo” em um grupo social animal é definido por sua relação com outros indivíduos do grupo. Um chimpanzé é um “indivíduo” e um elefante é um “indivíduo”, mas um mosquito não é, porque um mosquito não tem quaisquer relações sociais.
Mas…
No meio disso, existem alguns animais que têm uma relação muito mais temporária que outros, como uma corça e seus filhotes, que podem ficar juntos por cerca de um ano. Então, como tudo na vida, essa ideia de “indivíduo” existe em uma escala móvel. Só que, assim como nós, alguns animais vivem em grupos sociais complexos e a relação com os outros é uma parte constante de sua vida.
Elefantes e orcas, por exemplo, vivem em estruturas familiares matriarcais. Safina acredita que há uma conexão entre a alta inteligência social e grupos sociais estruturados, porque se indivíduos diferentes significam coisas diferentes para você, as relações devem ter nuances.
Mas as sociedades matriarcais parecem, pelas observações do ecologista, ser muito mais agradáveis.
O contraste é mais gritante entre chimpanzés e bonobos: eles são muito semelhantes, mas uma espécie tem a fêmea como líder e a outra tem o macho. Os machos fazem um monte de coisas típicas de macho: há um monte de agressão envolvida, muita luta, e isso limita o que a espécie pode ser como uma sociedade. (Usem essa dica, seres humanos).

3. Os animais também sentem ciúmes e ficam de coração partido

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No mundo animal, há um monte de desgosto, preocupação, corações partidos e o tradicional ciúmes.
Nós viemos dos mesmos ancestrais, das mesmas profundezas do tempo, e estamos conectados a todas estas coisas, embora no século passado ou algo perto disso tenhamos nos tornamos muito desconectados de nossas origens.
Mas a realidade é que somos um pouco de tudo isso: quer percebamos ou não.

4. Os chimpanzés, por exemplo, têm expressões faciais

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Eles são muito melhores do que a média das pessoas em se expressar, aliás. Eles tendem a ser muito sérios na disciplina de seu trabalho, mas são muito casuais socialmente e, geralmente, muito fáceis de serem respeitados. Para Safira, eles certamente veem realidades mais profundas.
As coisas que chipanzés pensam sobre o seu trabalho não são os ganhos do trimestre da empresa, ou a concorrência de mercado. O que eles carregam em suas mentes é a compreensão de como a vida funciona, coisas como o ciclo da água, a história geológica da Terra, como o corpo funciona – logo, eles têm uma perspectiva diferente sobre o mundo.

5. Alguns cetáceos, como orcas e golfinhos, parecem realmente ser capazes de ler mentes

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Safira acha que isso realmente é possível. Primeiro de tudo, nós não entendíamos que orcas tinham uma espécie de sonar até 1960. Então, talvez algo mais esteja acontecendo com elas que nós simplesmente não somos capazes de entender.
Recentemente, pesquisadores descobriram uma nova parte de seu cérebro que nós não temos, e talvez esta parte seja responsável por fazer algo diferente. Mas isso ainda é um mistério. É, contudo, uma hipótese que não devemos ignorar.

6. Os elefantes e as orcas também sabem se adaptar ao meio

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Conforme as alterações climáticas acontecem, além da sobrepesca, caça furtiva e outros fatores que nós provavelmente não podemos controlar, as ameaças a espécies como elefantes e orcas ficam cada vez maiores. É natural que as pressões da população humana tornem sua sobrevivência ainda mais complicada.
Contudo, estes animais são muito adaptáveis, porque já passaram por uma série de mudanças climáticas no passado, embora elas fossem, em sua maioria, muito mais lentas. Muitos deles se adaptam e encontram até mais vantagens.
No oceano, a acidificação é a grande ameaça para as orcas. É impossível estimar quantas irão sobreviver ou morrer.

7. Orca e elefantes têm uma gentileza inexplicável

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Quando se trata de seres humanos, eles são muito gentis ao invés de agressivos conosco. Por quê? Ainda não sabemos.
O ecologista levanta a possibilidade de os animais terem medo. Fazer contato com os seres humanos é uma coisa desconhecida para eles, e talvez eles não façam coisas que possam ter resultados imprevisíveis. Isso não vale para animais treinados (ou explorados), é claro.
Há muitos animais que nos tratam como se tivéssemos mentes, como se entendessem que nós os compreendemos. Algumas raias, que nem são peixes ósseos, chegam perto de mergulhares meio que pedindo ajuda quando estão enroladas em redes de pesca. Depois de serem socorridas, nadam em círculos ao redor dos mergulhadores por um tempo – mesmo estando livres para partir – o que pode ser entendido como uma demonstração de gratidão.
Coisa que, muitas vezes, não vemos nem nas relações entre os humanos.

Fonte: 


Publicado por:
http://hypescience.com/7-fatos-surpreendentes-sobre-animais-e-o-1o-explica-por-que-eles-nos-tratam-tao-bem/
 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Ibama debaterá criação de animais da fauna nativa para domesticação

 
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou a abertura de processo de consulta pública em relação às espécies da fauna nativa brasileira que poderão ser reproduzidas em criadouros para serem comercializadas como animais domésticos. O aviso sobre a realização dessa consulta foi publicado na edição do dia 30 de novembro do Diário Oficial da União.

A consulta pública está aberta entre os dias 3 e 17 de dezembro. Material sobre o tema em debate será publicado no site do Ibama (http://www.ibama.gov.br). A discussão é aberta a todos os interessados, mas o Ibama ressalva que "as contribuições deverão ser embasadas tecnicamente, de acordo com os critérios estabelecidos na referida resolução, indicando-se as referências bibliográficas utilizadas na justificativa".

Além disso, o aviso publicado no Diário Oficial destaca que "manifestações enviadas por documentos impressos ou correio eletrônico (e-mails) não serão analisadas". Para opinar, portanto, será necessário acessar formulário eletrônico específico, dentro da página do Ibama na internet.

Fonte:
http://www.anda.jor.br/11/12/2015/dez-dezembro

É no convívio com os bichos que o homem revela o que tem de mais humano

 

Amor a quatro patas

Cachorro é como criança: basta chegar perto de alguém para receber afeto e carinho. Gatos, tartaruguinhas e papagaios são igualmente convidativos a um afago. Debaixo do mesmo teto, os animais se misturam à vida dos homens trocando companhia e amizade, numa relação muito além de qualquer sentido utilitário. Cachorros, gatos, peixes e outros animais domésticos não são criados para servir de alimento, como galinhas no fundo do quintal, nem tampouco para ajudar no trabalho, como burros de carga. A paixão por bichos atravessa a história humana e independe da geografia. Num país como os Estados Unidos, existem hoje 475 milhões de animais domésticos - dos quais 48 milhões de cães e 27 milhões de gatos - ou dois para cada habitante. Estima-se que 10 por cento dos brasileiros tenham um cachorro. Na França, a relação é de dezoito animais domésticos por cem habitantes. Números significativos existem igualmente da Suíça ao Japão. É uma convivência sem fronteiras.

Mas o que leva os homens no mundo cada vez mais urbanizado de hoje a apreciar a companhia de bichos? Antes de mais nada, a história dessa união é bem mais antiga - vem do tempo em que as sociedades humanas não passavam de agrupamentos em que a organização familiar e social, assim como a divisão de tarefas, apenas engatinhava. Acredita-se que a domesticação de animais data de uns 12 mil anos, no Período Neolítico, não por acaso a mesma época em que o homem começou a trocar a caça e a coleta nômades por um pedaço de chão, dando origem à agricultura.

Ao aprender a cultivar a terra, o homem do Neolítico aprendeu também a criar animais como reserva alimentar. Disso nasceu a teoria que explicava a associação gente-bicho exclusivamente em termos de domínio dos animais pelo homem. Mais recentemente, porém, entrou em cena o conceito de co-evolução, que aponta na direção de uma espécie de pacto implícito entre bichos e pessoas, com vantagens para ambas as partes. Os lobos, primeiros animais domésticos e ancestrais dos atuais cachorros, ganharam ao conviver com o homem proteção contra predadores, comida sem precisar disputá-la com outros carnívoros e até o abrigo aconchegante do calor das fogueiras. Os assentamentos humanos tornaram-se fonte abundante de sobras de alimentos, que atraíram pássaros, que por sua vez atraíram gatos e assim por diante.

À medida que a convivência evoluía, os animais foram se tornando também objetos de estima, numa recorrência que permeia várias culturas e épocas. Os opulentos habitantes da antiga cidade grega de Síbaris, no sul da Itália (da qual veio o adjetivo sibarita, para designar pessoa rica e indolente), e alguns membros da aristocracia ateniense tinham especial predileção pelos cachorros. Na China, o cão pequinês era venerado pela dinastia Han, há cerca de mil anos. Mesmo na Inglaterra do século XVII, enquanto o povo montava cavalos até que morressem ou torturava bois e porcos ao matá-los, os monarcas da dinastia Stuart eram apaixonados por cães. Ao chegar ao Novo Mundo, os europeus descobriram que tribos americanas mantinham animais de estimação. Era o caso dos navajos e seus gatos.

Se para os animais a proximidade dos humanos foi um achado, os homens também lucraram, tirando sustento da carne dos bichos que criavam e usando sua força para guarda, trabalho e transporte. É certo que essa relação originalmente utilitária de dominação foi sedimentando na mente humana a noção da inferioridade animal. Daí a maltratá-los sem necessidade ou mesmo por prazer foi um passo, como acontecia rotineiramente na Europa até o século XVIII. Apesar de todas as maldades praticadas contra os bichos, da convivência e da observação surgiu o afeto pelos animais - seres que nunca deixaram de surpreender pela inteligência ou por comportamentos que as pessoas podiam supor aparentados aos delas próprias, como a fidelidade (dos cães) e o ânimo brincalhão (dos gatos). Hoje suas atribuições incluem a de devolver ao habitante de uma sociedade governada pela tecnologia o contato com a natureza. O essencial, porém, é o afeto.

Este sentimento é a parte mais relevante da convivência entre homens e animais. “O animal responde incondicionalmente ao amor dos homens”, analisa a psicóloga Maria Helena Scherb, dona de um cachorro e dois gatos. O psiquiatra americano Aaron Katcher, autor de vários livros sobre homens e bichos, vai mais longe. Para ele, os animais influem diretamente sobre a saúde física e psicológica dos donos. Nas situações em que se está deprimido ou solitário, um animal serve para fazer companhia. Além disso, é algo vivo para se cuidar e para se sentir necessário, visto que o bicho depende da pessoa. Em situações de ansiedade ou de medo, o animal funciona como fonte de apaziguamento: ao tocá-lo e afagá-lo, pode-se adquirir algum sentimento de segurança.

“O ser humano tem uma necessidade de contato físico que é preenchida pelo animal”, nota a veterinária Hannelore Fuchs, que se doutorou em Psicologia na Universidade de São Paulo em 1987 com uma tese sobre homens e animais domésticos. Como se sabe, a vida atribulada das grandes cidades nem sempre deixa tempo (ou cabeça) para que as pessoas dêem ou recebam carinho na hora que desejam. Assim, se o bicho homem mais próximo está ocupado, a alternativa para muitos é afagar o de quatro patas.

Para uma criança, por exemplo, um cachorro pode servir como aula de vida: o bicho cresce diante de seus olhos, engravida, tem filhotes, fica doente, morre. Por um lado menos prático e mais sentimental, o cachorro funciona como substituto dos pais eventualmente ausentes num momento em que a criança precisa de afeto, ou mesmo quando ela briga com eles. Qualquer garoto que tenha um cão chora as mágoas para ele quando fica chateado. Nem é preciso ser criança para bater longos papos com os bichos e neles encontrar conforto.

A apresentadora de televisão Xuxa diz que entende e gosta mais de crianças e animais do que de adultos. Em sua casa vivem dezoito cachorros, dez micos, quarenta periquitos, três papagaios, um tucano, dois faisões, duas codornas, um carneiro, além de - ufa! - patos e pombas. “As crianças e os animais gostam do meu jeito de ser mesmo que esteja mal vestida e sem maquiagem, ao contrário dos adultos”, observa Xuxa.

Ela conta que quando tem problemas e quer desabafar conversa com os bichos, principalmente com o fila Xuxo: “Eles só ouvem, não recriminam não respondem, e o Xuxo ainda chora junto comigo e tenta me alegrar”. Bicho não é só consolo de jovem. Os velhos padecem de um isolamento gradativo devido à idade e ao culto da juventude que permeia a cultura ocidental hoje em dia. Com a pele enrugada e as mãos encarquilhadas, muitas vezes fica mais difícil para uma pessoa idosa tocar e ser tocada: nem todo mundo gosta do contato com uma pele que já não é macia. Sem a discriminação praticada pelos humanos, o cachorro e o gato aceitam e retribuem o carinho de um idoso com prazer.

Por isso, se não encontra mais companhia junto a seus parentes próximos, uma pessoa de idade pode suprir suas necessidades afetivas graças a um animal. A presença de um bicho pode ser tão significativa para os que estão à margem da vida normal da sociedade, como velhos e deficientes físicos ou mentais graves, que já existem em muitos lugares para eles terapias auxiliadas por animais. A simples companhia pode ser suficiente para melhorar o humor de quem convive com animais. O jogador de futebol Bebeto, consagrado no Flamengo do Rio, corre para junto de seus cães, papagaios e araras cada vez que tem uma folga.

“Gosto dos animais porque eles me distraem e me divertem muito”, conta ele. Para quem pensa em conhecer novas pessoas uma boa receita é arrumar um cãozinho e passear com ele pelas ruas. Isso não é só conselho de manuais de pseudopsicologia, daqueles que ensinam a fazer amigos. O zoólogo inglês Peter Messent observou numa pesquisa em ruas e parques que quase todas as pessoas que passeavam com cachorros eram cumprimentadas ou conversavam com estranhos. Já os que caminhavam sozinhos ou com crianças fizeram pouquíssimos contatos.

Ainda que haja uma distância talvez incomensurável entre criar uma criança e um bichinho, as duas atitudes, para os pesquisadores americanos Alan Beck e Aaron Katcher, têm pontos em comum. Gente ou animal, ambos têm de ser alimentados, protegidos, cuidados em sua saúde e receber carinho sempre que o pai, ou o dono, deseja dar. A diferença aparece quando crescem. Os filhos viram adultos e saem de casa, mas os animais continuam dependentes a vida toda e por isso mesmo podem ser amados egoisticamente como filhos que jamais crescem, eternas crianças, em oposição aos filhos verdadeiros que um dia batem asas para formar suas próprias famílias.

Essa característica, que influi na decisão de certas pessoas de ter animais domésticos, influiu também em sua evolução, desde que começaram a partilhar o mesmo espaço há uma dezena de milênios. Os primeiros lobos que se aproximaram dos homens tinham aparência selvagem, que foi evoluindo para traços mais suaves até chegar ao cachorro de hoje. Isto se deu porque os lobos favorecidos pelos homens eram naturalmente os menos agressivos, os que mantinham traços juvenis e amadureciam sexualmente mais cedo, transmitindo tais características aos descendentes. Excetuando os cães de guarda, os animais domésticos mais apreciados são geralmente fofos e mansos - como crianças.

O animal está na vida do homem como companheiro - e também dentro dele. Pelo menos assim o psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) via os animais enquanto símbolo - eles representariam o lado mais instintivo do homem, a porção fera de cada um. Esse animal símbolo estaria gravado no que Jung chamava o inconsciente coletivo, uma espécie de memória geral da espécie humana presente em nossa mente. “Se uma pessoa souber lidar satisfatoriamente com seu animal interno, possivelmente vai se dar bem com os animais reais”, afirma o psicólogo Ricardo Belfort Mattos. Quando ocorre o contrário, é provável que uma pessoa não goste de animais e até os maltrate. Sim, o homem agride os animais - mas também organiza sociedades protetoras de animais.

No caso de uma criança que torce o rabo do gatinho ou chuta o cachorrinho, porém, o motivo tende a ser outro. “A criança normalmente não é cruel, é curiosa”, diz Hannelore Fuchs. Cabe ao adulto educá-la para que não inflija a outro ser vivo a mesma dor que não quer sentir. Num momento de raiva, no entanto, crianças ou adultos podem descarregar a frustração em cima do bicho, que normalmente não revida, a não ser que tenha tamanho suficiente para dar o troco em mordidas ou unhadas. “Esse é o lado negativo da relação das pessoas com os animais”, diz a psicóloga Maria Helena Scherb.

Desde que não descambem para o espancamento, essas desavenças são, porém, comuns em qualquer paixão. Não só os cães, mas os passarinhos, gatos, macaquinhos e todos os animais domesticados podem se tornar grandes amigos do homem. Eles estão aí para dividir amizade, companheirismo, afeto, resgatando uma intimidade esquecida do homem com a natureza e consigo próprio. Como notou Hannelore Fuchs em seu trabalho acadêmico: “O animal possibilita ao ser humano mostrar suas qualidades humanas, quando cuida, se sacrifica, ama e chora a perda de um animal”.


Fátima Cardoso

Fonte:
super.abril.com.br/historia/domesticacao-de-animais-amor-a-quatro-patas