domingo, 15 de maio de 2016

O veneno de sapo que é usado como remédio na Amazônia



"Eu chorei sem parar durante dois anos. Quando apliquei o remédio, meu choro parou. Assim, categoricamente."
Daniel Valdés não tem dúvidas sobre o efeito que o veneno da rã amazônica kambô teve sobre ele na primeira vez que o tomou.
O uso desse veneno – proibido pelas autoridades brasileiras – no tratamento de várias doenças está se propagando internacionalmente, principalmente na América do Sul.
Entretanto, cientistas advertem que nenhum dos benefícios que foram atribuídos à substância foi comprovado e que, em alguns casos, seu uso pode levar à morte.
Os alertas não impediram que Valdés e muitos outros de fazerem o tratamento.
Ele tinha dúvidas, mas depois de dois anos de pesquisas sobre o assunto, e sofrendo de depressão após um divórcio, decidiu tentar.
"Apliquei (o remédio) e minha história mudou", disse o chileno à BBC. Ele repetiu a dose outras vinte vezes.
Uso está se expandindo pela América do Sul (Foto: BBC)Uso está se expandindo pela América do Sul (Foto: BBC)
'Ação em três frentes'
Valdés disse que a chave de sua transformação foi uma substância altamente tóxica secretada pelaPhyllomedusa bicolor , também conhecida como rã kambô, para se defender de seus predadores.
O animal de cor verde brilhante vive principalmente na selva do Estado do Acre, no noroeste do Brasil, mas também pode ser encontrado em outros países amazônicos, como Bolívia, Colômbia, Guiana, Peru e Venezuela.
Tradicionalmente, grupos indígenas brasileiros como os katukinas, kaxinawás e yawanawás, entre outros, usam o kambô em rituais para reforçar o sistema imunológico.
Para isso, caçam a rã, que é identificada a partir do seu coaxar característico. Depois, amarrando as quatro extremidades do animal, extraem o veneno coçando suas costas com uma espátula.
Recentemente, esses rituais vêm sendo realizados por habitantes de grandes cidades, pessoas que não têm qualquer ligação com as culturas indígenas.
Indígenas caçam a rã e a "raspam" para retirar o veneno (Foto: BBC)Indígenas caçam a rã e a "raspam" para retirar o veneno (Foto: BBC)
Na internet, curandeiros oferecem seus serviços em Chile, Colômbia, Peru e até Espanha, cobrando até US$ 50 (R$ 175) por sessão.
O chileno Carlos Fuentes é um deles. Ele aprendeu a técnica com os índios katukinas, que habitam o Vale do Juruá. Fuentes disse que conviveu com a etnia durante quatro anos. Hoje, oferece sessões no Chile sob o nome de xamã Vuru.
"O kambô é um tipo de medicamento, não um remédio", disse à BBC.
"Ele atua em três frentes – física, mental e espiritual. E no alinhamento do ser para sua cura completa", disse.
Para que o kambô surta efeito, explicou, o paciente deve comparecer à sessão em jejum. Depois, ele toma três litros de água enquanto o curandeiro faz uma série de queimaduras superficiais, em formato de pontos, em sua pele.
"Na batata da perna, no caso das mulheres. E nos braços e peito, no caso dos homens”, explicou Fuentes.
Sobre esses pequenos ferimentos, o curandeiro aplicará a substância extraída da rã. Misturada com água e colocada para secar sobre uma tábua de madeira, o veneno tem agora consistência pastosa e cor branca.
aldeia varinawa (Foto: BBC)
Carlos Fuentes (à esq.) oferece tratamento com kambô no Chile (Foto: BBC)Carlos Fuentes (à esq.) oferece tratamento com kambô no Chile (Foto: BBC)
'Fogo'"Uns três ou quatro minutos depois, você sente um fogo correndo por seu corpo, uma chama que parte dos dedos dos pés e chega até a sua cabeça", contou Valdés. "Você sente o coração na garganta, fica congelado, transpira."
A dose – o número de pontos – e a periodicidade da aplicação dependem da idade e constituição da pessoa, assim como do número de vezes que ela utilizou a substância, explicam os curandeiros.
O número de pontos, por sua vez, depende do sexo, da idade e da constituição física do paciente.
"É como uma luta interna", disse Mauricio González, outro chileno que experimentou o kambô há três anos e, desde então, aplica a substância sempre que se sente "estressado e com energia baixa".
A reação dura 15 minutos.
"É uma reação física ao veneno de um sapo. Você está envenenado por um sapo", disse Valdés.
Número de pontos de aplicação depende de sexo, idade e complexidade do caso (Foto: BBC)Número de pontos de aplicação depende de sexo, idade e complexidade do caso (Foto: BBC)
Ao final dos 15 minutos, o "paciente" vomita e sente uma sensação de alívio. Cientistas dizem que essas reações são consequência do envenenamento. Já os adeptos da prática dizem que isso acontece porque a substância está eliminando toxinas e outros males do organismo.
"A melhora é imediata", disse Fuentes, o xamã Vurú. Ele contou que atende pessoas com todo tipo de problemas, desde viciados a pacientes com depressão e fibromialgia (síndrome que causa dores musculares e fadiga).
Outros profissionais que se dizem versados nas artes do kambô oferecem o tratamento contra inflamações, cansaço, tendinite, dor de cabeça, asma, rinite, alergias de todo tipo, úlceras, diabetes, problemas de pressão, colesterol alto, estresse, crises de ansiedade e redução da libido.
A internet está cheia de depoimentos de pessoas que dizem ter se curado de todos esses problemas após fazer o tratamento.
E Valdés, falando à BBC, disse que além de curar sua tristeza, o veneno de rã controlou sua hipertensão.
Veneno seca em um pedaço de bambu antes de ser aplicado (Foto: BBC)Veneno seca em um pedaço de bambu antes de ser aplicado (Foto: BBC)
Sem comprovação científica

Cientistas advertem, no entanto, que nenhuma das propriedades "milagrosas" atribuídas à substância foi cientificamente provada.
Segundo o biomédico Leonardo de Azevedo, do Instituto Oswaldo Cruz, em São Paulo, o veneno contém substâncias opióides – como as deltorfinas e as dermorfinas – que aliviam a dor e produzem uma sensação de bem-estar.
Portanto, o que os usuários estão vivenciando é uma reação biológica momentânea às substâncias químicas presentes no veneno, disse Azevedo à BBC.
O especialista em venenos disse que outras moléculas presentes na substância – como as dermaseptinas, as dermatoxinas, as phylloseptinas e as plasticinas – têm demonstrado, em laboratório, propriedades antimicrobianas, destruindo bactérias, protozoários, fungos e lombrigas.
Por isso, o veneno da kambô é citado em vários estudos que apontam seu potencial futuro no combate às superbactérias (bactérias resistentes a antibióticos).
Para especialista, aplicação "não é segura"; indígenas também alertam para uso indevido (Foto: BBC)Para especialista, aplicação "não é segura"; indígenas também alertam para uso indevido (Foto: BBC)
Mas tratam-se de estudos feitos em laboratório, ressaltou Azevedo. "É preciso muita pesquisa para avaliar se (a substância) também é eficiente lá fora", disse.
"É sabido que a maioria das moléculas que apresentam resultados promissoresin vitro falha quando é analisada ao vivo."
E Azevedo vai mais longe: "Na minha opinião, a aplicação do kambô não é uma prática segura".
"A Phyllomedusa bicolor jovem é parecida com a Phyllomedusa adulta, que tem secreções cutâneas tóxicas", explicou.
O especialista disse que xamãs menos experientes podem usar o veneno errado levando os usuários a sofrer efeitos secundários perigosos.
"Além disso, a má conservação pode favorecer o crescimento de micro-organismos resistentes no pedaço de bambu onde se coloca o veneno", acrescentou.
Outros especialistas, como Carlos Jared, diretor do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantan, em São Paulo – afiliado ao Ministério da Saúde, são da mesma opinião.
 Fuentes, por sua vez, diz que não há contraindicação (Foto: BBC)Fuentes, por sua vez, diz que não há contraindicação (Foto: BBC)
Proibido
A venda do veneno no Brasil, assim como qualquer publicidade sobre o assunto, foram proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
"Esta substância nunca foi submetida a análises químicas, algo essencial para eu se comprove sua eficácia e segurança", disse à BBC uma porta-voz da agência.
Há dez anos, os próprios índios amazônicos que usam a substância alertaram para os perigos do uso indevido e não autorizado, feito por xamãs inexperientes, do veneno.
"Estamos ouvindo falar muito que no sul do Brasil tem gente que usa (o veneno) sem nenhum respeito, tentando lucrar com a venda do leite da rã pela internet e aplicando-o sem nenhum preparo e sem a permissão dos povos indígenas, com risco, inclusive, de morte", disse Joaquim Luz, um líder yamanawá do Acre, em uma entrevista à Rádio Nacional da Amazônia em 2006.
Até o momento, houve dois relatos de mortes de usuários do veneno. No entanto, não há provas de que as mortes tenham ocorrido em decorrência do uso da substância.
Fonte:

15 de maio marca controle de infecção hospitalar - Um breve histórico da Anvisa


A infecção hospitalar é um freqüente e grave problema de saúde pública no país, que mobiliza ações tanto de caráter político como de pesquisas científicas e tecnológicas. O dia 15 de maio marca o compromisso nacional de controle de infecção hospitalar no Brasil, que desde meados da década de 60 vem se fortalecendo como prática indissociável da ação sanitária e de prevenção à saúde.


A Anvisa, como detentora da missão de resguardar a população dos riscos à saúde, desde a sua criação em 1999, desenvolve atividades voltadas ao fortalecimento do controle de infecção nos serviços de saúde do país.

Atualmente, as duas principais atividades para o controle de infecção são a implantação do Sistema Nacional de Informação para Controle de Infecções em Serviços de Saúde SINAIS e a formação da Rede de Monitoramento da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde.

Essas duas ferramentas auxiliam na identificação e monitoramento das infecções, contribuindo para a priorização das ações de controle e organização das diretrizes e políticas nas esferas de gestão, municipal, estadual e federal.

Leia um breve histórico do controle de infecção no país.

As Informações são da Assessoria de Imprensa da Anvisa






sábado, 14 de maio de 2016

Projetos de Instrução normativa sobre controle do mormo - 30 dias para apresentar sugestões



Instrução normativa sobre controle do mormo, doença infecciosa que ataca principalmente equinos.

Interessados tem 30 dias, a contar desta quinta (12 de Maio), para apresentar sugestões

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) submeteu à consulta pública pelo prazo de 30 dias, a contar desta quinta-feira (12), o projeto de instrução normativa que estabelece as diretrizes para a prevenção, controle e erradicação do mormo, doença infecciosa que ataca principalmente equinos.
A consulta foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta (12). Os interessados têm prazo de 30 dias para mandar sugestões ao projeto.
De acordo com a instrução, diante de um caso de suspeita de mormo, o serviço veterinário oficial deverá realizar investigação clínica e epidemiológica do caso suspeito e demais equídeos do estabelecimento; definir as unidades epidemiológicas que serão objeto de medidas sanitárias; se necessário, determinar o isolamento dos casos suspeitos e a interdição das unidades epidemiológicas envolvidas até a conclusão das investigações e submeter os demais animais suspeitos a testes laboratoriais.

O projeto de instrução normativa está disponível no site do Mapa,www.agricultura.gov.br, no link LEGISLAÇÃO - Consulta Pública. As sugestões deverão ser encaminhadas para o endereço eletrônico dsecoa@agricultura.gov.br ou por escrito à Divisão de Sanidade de Equídeos, Caprinos, Ovinos e Abelhas, localizada no Mapa (Esplanada dos Ministérios, Bloco D, Anexo A, Sala 308, CEP 70.043-900, Brasília - DF.

Confira aqui e aqui o a publicação no Diário Oficial da União. 
 
Mais informações à imprensa:Assessoria de comunicação social
Cláudia Lafetá 
claudia.lafeta@agricultura.gov.br

O que você precisa saber ao adotar um animal de estimação



Ao adotar,você:



• Ajuda a reduzir o drama e o sofrimento do abandono de animais;

• Dá um apoio fundamental ao trabalho das ONGs e dos protetores independentes que desempenham a árdua tarefa de resgatar, cuidar e dar encaminhamento aos animais que mais necessitam;

• Tem uma experiência inesquecível e gratificante de dar e receber amor;

• Não contribui para o comércio de animais. Lembre-se: esta “indústria” se baseia na exploração, e, salvo raras exceções, não dá a menor importância para o bem-estar das fêmeas usadas na procriação. É comum que criadores simplesmente descartem e até sacrifiquem as matrizes depois que elas envelhecem e já não podem mais produzir filhotes.


Antes de adotar, confira os seguintes pontos:



* O animal deve ter passado pela triagem de um veterinário;

* Deve ter recebido pelo menos uma dose de vermífugo de amplo espectro;

* Deve ter recebido as vacinas antirrábica e V-8 ou V-10 (no caso dos cães), e tríplice, quádrupla ou quíntupla (no caso dos gatos);

* A maioria das entidades entrega o animal já castrado, ou disponibiliza a castração a baixo preço para o adotante. Lembre-se: é muito importante castrar o animal, para evitar as crias indesejadas e a perpetuação do ciclo dos animais abandonados.

ARCA Brasil trabalha com um número limitado de colaboradores e não tem a estrutura necessária para checar cada um desses eventos – portanto, não se responsabiliza pelas informações aqui fornecidas.

Onde Adotar:

Clique aqui e conheça entidades que doam animais
Clique Aqui

Sites para adotar um animal
Clique Aqui


Fonte:


O mundo digital a serviço dos peludos

Uma das maiores vantagens dos meios digitais é facilitar a busca por opções sob medida. Veja alguns exemplos:
PARA CÃES/GATOS:


DogHero: plataforma recém-lançada de hospedagem, exclusiva para cães, em diversas cidades do país. A proposta dos idealizadores e sócios, Eduardo Bear e Fernando Gadotti, é criar uma rede de pessoas interessadas em acolher temporariamente em suas casas animais de terceiros. O site possui filtros que selecionam o tipo de serviço e acomodação desejada. Por exemplo, em casa ou apartamento, locais com outros animais ou não, etc. Alguns perfis de Petsitters oferecem depoimentos de usuários que passaram pela experiência com seus bichos. As diárias variam entre R$35,00 e R$60,00 por animal e o público pode acessar os conteúdos via APP (disponível em Androide e IOS). Saiba mais.
*apenas para cães.

PetHub: além dos serviços citados acima, o portal inclui opção para gatos e atendimento em domicilio, ou seja, o pet não precisa sair do seu cantinho enquanto os donos estão fora. Isso faz toda a diferença para os bichanos, que precisam de um período maior para adaptação. Apesar do diferencial, a plataforma apresenta algumas dificuldades no processo de busca, testado por nossa equipe. As diárias variam entre R$35,00 e R$60,00 por animal. Atendimento em diversas regiões do país. Disponível em APP (Androide e IOS). Saiba mais.
*serviço para cães e gatos.

MyPet’sNanny: semelhante aos serviços anteriores, essa plataforma traz o diferencial de atender também animais silvestres. Os franqueados passam por uma seleção e recebem diversos treinamentos. Interessados podem optar entre hospedagem na casa dos Petsitters ou atendimento em domicilio. A My Pet’s Nanny promete vários serviços sob consulta, incluindo dog walker e o “câmera pet” (sistema próprio de câmera, que mostra seu pet ao vivo). Os preços variam de acordo com o período, em média R$65,00 a hora. Estão no mercado há cinco anos e operam em 10 cidades do país (atendimento restrito a alguns bairros). Clique e confira a disponibilidade em sua região.
OBS: reservas com antecedência de no mínimo de 3 dias.
*serviço para cães, gatos e silvestres.

PARA GATOS:
As chamadas “Cat Sitters” são especializadas em atender os mimos dos felinos, que na maioria das vezes não são simpáticos a mudanças e demoram a se adaptar em novos ambientes. Apesar de conhecidos como individualistas, os gatos, assim como outros pets, se sentem sozinhos e precisam de atenção. Além disso, por seu extinto natural de escolherem locais altos ou escondidos, tem mais chances de se machucarem ou ficarem presos em algum lugar.
O serviço inclui a limpeza do ambiente, alimentação e muito carinho para o bichinho. Mesmo sendo um trabalho informal, essas babás oferecem um contrato com dados e informações úteis, para maior segurança dos guardiões.
Preço médio de R$60 a R$90, dependendo da localização e do número de visitas acertadas.

Fonte:


Luta pelo bem-estar animal: o que tem sido feito no Brasil?


Em entrevista para edição 99 da revista Pulo do Gato (Março/2016), Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil, fala sobre os principais pilares da guarda responsável e a situação atual do país em relação aos pets. Confira a matéria completa:


Ministério define critérios para importação de material genético avícola


Principal exigência é o parecer técnico prévio da ABPA, com aprovação do Mapa
A partir de agora, os processos de importação de material genético avícola (pintos e ovos férteis de um dia) deverão ter parecer técnico prévio da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O documento será feito com base nas provas zootécnicas apresentadas pelas empresas produtoras de plantéis de multiplicação nos países de origem.

Os critérios para importação do material genético avícola foram estabelecidos por meio da Instrução Normativa nº 17, de 11 de maio de 2016, publicada no Diário Oficial da União (DOU) dessa quinta-feira (12).

Os estabelecimentos que se dedicam à importação de material genético avícolas estão obrigados ao registro na Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA).

Até a publicação no DOU, os critérios eram feitos pela União Brasileira de Avicultura (Uba) e pela Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef).  Com a fusão das duas entidades, surgiu a ABPA, que agora será a responsável pelo parecer técnico.

As áreas técnicas competentes do Mapa, junto com a ABPA, vão elaborar os modelos de relatórios que possibilitem a manutenção atualizada das informações dos processos de importação. Esse relatório deverá conter o número de machos e fêmeas ou ovos férteis importados por linhagem; a localização da granja de origem do material genético e do incubatório; e a granja ou incubatório de destino do material genético no Brasil.
Mais informações à imprensa:
Assessoria de comunicação social
Cláudia Lafeta