segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Confira os bichos que são tão perigosos quanto os animais mais temidos da natureza

 São famosos os casos de ataques de tubarões, grandes felinos, jacarés e crocodilos contra humanos.
Já foram relatados também casos de ataques de hipopótamos e elefantes enfurecidos, que saem destruindo tudo que encontram em seu caminho.
Mas existem outros assassinos no mundo animal que são bem menos conhecidos. Veja abaixo seis deles.

1. Tênia

As tênias causam uma doença intestinal chamada teníase, transmitida pelo ovo das larvas. O mal é contraído pela ingestão de alimentos como carne de porco ou bovina contaminadas e que não foram bem cozidas. A transmissão pode ocorrer também pelo contato com fezes ou água contaminados.

Os problemas de saúde causados pela tênia transmitida pela carne bovina não são tão graves. Mas a tênia presente na carne de porco pode causar graves dores de cabeça, cegueira e até a morte.

Estima-se que as doenças causadas pela tênia ingerida na carne de porco matem cerca de 1,2 mil pessoas por ano, a maioria na Ásia, África Subsaariana e América Latina.
Se os ovos das larvas se desenvolvem no sistema nervoso central, também podem causar uma forma de epilepsia.

2. Lombriga intestinal

Acredita-se que cerca de 1 bilhão de pessoas estejam infectadas com esse parasita que causa ascaridíase, uma doença presente no mundo todo.

Esse verme vive nos intestinos e espalha seus ovos por meio de fezes infectadas. A ascaridíase é causada pela ingestão desses ovos.
Isso pode ocorrer quando a pessoa leva à boca dedos ou mãos contaminadas ou consome frutas e verduras que não foram cozidos ou lavados ou não tiveram as cascas retiradas cuidadosamente.
O verme adulto tem tamanho que pode variar entre 15 e 35 centímetros.

Pessoas afetadas por esta lombriga (do gênero Ascaris) não apresentam sintomas, mas as infecções mais graves podem causar bloqueio intestinal e afetar o crescimento de crianças.

Apesar de a ascaridíase ser tratável, os casos graves causam aproximadamente 60 mil mortes por ano, geralmente entre crianças, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

3. Caramujo de água doce

Neste caso, os assassinos não são os caramujos, mas sim os parasitas que ele carrega.
O contato com os caramujos de água doce pode causar a esquistossomose. É a segunda doença parasitária mais devastadora em países tropicais, ficando atrás apenas da malária.

A África é um dos continentes mais atingidos pelo problema.
De acordo com a OMS pelo menos 20 mil pessoas morrem devido à esquistossomose todo ano em todo o mundo.
Mas a Usaid, a agência de cooperação internacional dos Estados Unidos, calcula que o número é muito maior: mais de 200 mil mortes por ano.

4. Barbeiro

O barbeiro (Triatoma infestans) é o inseto que transmite a doença de Chagas.
É um inseto hematófago e é encontrado apenas nas Américas.
Ao picar a pessoa para sugar o sangue, o intestino do barbeiro se incha e obriga o inseto a defecar, depositando parasitas na pele da vítima.
Quando a pessoa se coça o parasita, o Trypanosoma cruzi, penetra na pele.

A OMS calcula que existam em todo o mundo entre 6 e 7 milhões de pessoas infectadas pelo parasita causador da doença de Chagas, a maioria delas na América Latina.

5. Mosca tsé-tsé

A mosca tsé-tsé transmite o tripanossoma causador da doença do sono.
Esta doença afeta, na maioria dos casos, pessoas pobres em áreas rurais e remotas da África e, se não for tratada, pode matar.

No entanto, muitos dos casos não são registrados.
Um século de esforços concentrados para controlar a doença conseguiu diminuir seus efeitos destrutivos. No meio da década de 1960 a doença já havia sido quase erradicada.

Mas voltou como uma epidemia que durou desde os anos 1970 até a metade da década de 1990.
A OMS estima que 65 milhões de pessoas correm o risco de contrair a doença e 20 mil estão infectadas.

Nas últimas etapas da infecção os parasitas entram no fluxo sanguíneo do cérebro e infectam o sistema nervoso central, causando confusão, falta de coordenação e a perturbação do ciclo do sono, sintoma que acabou dando o nome à doença.

6. Cachorros

Segundo a OMS as mordidas de cachorros causam a maioria das mortes por raiva entre humanos, com dezenas de milhares de casos registrados por ano.

A organização informou que, a cada ano, mais de 15 milhões de pessoas são vacinadas contra a raiva no mundo todo depois de terem sido mordidas por um cachorro, para evitar a doença.
A estimativa é que este procedimento evite centenas de milhares de mortes causadas pela raiva.

A raiva é uma doença viral infecciosa que afeta animais domésticos e selvagens e é transmitida para humanos através de mordidas ou arranhões, geralmente pelo contato com a saliva do animal.
Se não for tratada quase sempre é fatal.
Mais de 95% das mortes humanas causadas pela raiva ocorrem na Ásia e África.

Enquanto que os cachorros são historicamente associados com a transmissão da doença para humanos, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) afirmou que, entre os americanos, pode ser mais provável que as pessoas se contagiem através de gatos já que estes têm mais contato com os animais selvagens que originalmente transmitem a doença.

Fonte:
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/151215_animais_assassinos_fn BRASIL
 

Cãopanheiro! - Cachorro acompanha garoto autista em tudo, até no hospital

Para James Isaac, garoto autista de 9 anos, o mundo pode sem bem confuso e assustador.
Ele não fala nem se sente confortável perto de pessoas que ele não conhece.
Mas ele não está sozinho nessa. O seu cachorro Mahe, treinado pela Assistance Dogs New Zealand Trust , o acompanha em tudo — até mesmo no hospital.
Na semana passada, James precisou fazer uma ressonância magnética para tentar descobrir a causa de suas convulsões, e a equipe do hospital permitiu que Mahe o acompanhasse.
"Ele permaneceu ao lado de James todo o tempo e sempre com um olhar preocupado", comentou Michele Isaac, mãe do garoto, em entrevista a um jornal neozelandês.
Michele acredita que Mahe tem sido de extrema importância no desenvolvimento de James desde que ele chegou em sua vida, há dois anos.
Além de mantê-lo longe do perigo, o animal carinhoso acalma o garoto e ajuda a controlar seus medos e ansiedades.

É muito cãopanheiro, não?
 
 Fonte:


Crianças leem para cachorros traumatizados à espera de adoção


Cachorros abandonados costumam carregar marcas de violência e, geralmente, são arredios ao contato e carinho humano.

Essa situação muda totalmente quando crianças leem para eles.

Parece loucura, mas a ação organizada por um abrigo de animais americano, o Humane Society Of Missouri, tem dado resultados comoventes.

A ideia é bem simples: treinar crianças de 6 a 15 anos para lerem para os cachorros como forma de prepará-los para o convívio com os seus futuros lares, sem precisar forçar uma interação física.



 

"Queríamos ajudar os cães tímidos e medrosos, sem forçar uma interação física. Já conseguimos notar o efeito positivo que a ação tem sobre eles ", disse o diretor do programa Jo Klepacki. "Lançamos o programa no Natal do ano passado, mas agora estamos oferecendo uma vez por mês."

Os pequenos interessados devem se inscrever no site da organização. Eles passam por um treinamento em que aprendem sobre a linguagem corporal dos animais; assim, conseguem diferenciar se eles estão ansiosos ou com medo, por exemplo.

Os voluntários sentam em frente aos canis e leem um pequeno livro. Toda vez que o cão se aproxima, eles são indicados a oferecer um lanchinho.

O ideal é que os cães tímidos e medrosos se aproximem e mostrem interesse. Se isso acontecer, as crianças reforçam que o comportamento é bom, dando-lhes um presente", disse Klepacki.

"Isso acostuma os cachorros a irem para frente e a interagirem quando os potenciais adotadores estiverem escolhendo o animal. Eles têm mais chances de serem adotados do que se ficarem de costas ou encolhidos. "



Fonte:


Relatório da IPBES alerta para as consequências da extinção de polinizadores


Um número crescente de espécies de animais polinizadores está ameaçado de extinção em todo o mundo em decorrência de fatores como mudança no uso da terra, uso indiscriminado de pesticidas e alterações climáticas.

Caso não sejam adotadas medidas para reverter o quadro, as consequências para a economia global, a produção de alimentos, o equilíbrio dos ecossistemas e a saúde e o bem-estar humanos poderão ser desastrosas.


O alerta foi feito por especialistas da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) no relatório “Polinização, polinizadores e produção de alimentos”, divulgado hoje durante a 4ª Sessão Plenária da IPBES, em Kuala Lumpur, na Malásia.

O processo de elaboração do documento foi coordenado ao longo dos últimos dois anos pelo britânico Simon G. Potts, professor da Universidade de Readings, no Reino Unido, e pela brasileira Vera Lucia Imperatriz Fonseca, professora sênior do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e membro do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA).

“Cerca de 90% das espécies de plantas silvestres dependem, pelo menos em parte, da transferência de pólen feita por animais. Essas plantas são críticas para o funcionamento dos ecossistemas, pois fornecem comida e outros recursos essenciais para uma enorme gama de espécies”, destacou Fonseca.

Segundo Adam J. Vanbergen, pesquisador do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido e coautor do documento, a boa notícia é que há uma série de passos que podem ser seguidos para reduzir o risco aos polinizadores e, por extensão, à saúde das populações humanas em todo o mundo. “O principal deles é buscar uma agricultura mais sustentável, o que envolve a diversificação das paisagens agrícolas e redução do uso de pesticidas”, afirmou em entrevista à Agência FAPESP.

O relatório é o primeiro de uma série de diagnósticos sobre o status da biodiversidade no planeta previstos para serem divulgados pelo IPBES até 2019. A entidade internacional foi criada em 2012 com a função de sistematizar o conhecimento científico acumulado sobre o tema, de modo a subsidiar decisões políticas em âmbito internacional. Atualmente, a plataforma conta com representantes de 124 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Paralelamente ao relatório temático, o grupo divulgou um sumário dos principais achados direcionado aos formuladores de políticas públicas.

Pontos de destaque

Mais de três quartos das principais lavouras alimentícias no mundo dependem, em algum grau, dos serviços de polinização animal, seja para garantir o volume ou a qualidade da produção. Algumas dessas espécies vegetais são cruciais para garantir o aporte de vitaminas, minerais e outros micronutrientes essenciais para a saúde humana.

“Entre as espécies cultivadas no Brasil que dependem ou são beneficiadas pela polinização animal podemos destacar açaí, maracujá, maçã, manga, abacate, acerola, tomate e muitas outras frutas, além da castanha-do-pará, do cacau e do café. Soja e canola também produzem mais na presença de polinizadores”, contou Fonseca.

Segundo o relatório, ao todo, 35% das lavouras mundiais dependem de polinização animal. Além das espécies usadas na alimentação humana, há outras importantes para a produção de bioenergia (canola e palma), fibras naturais (algodão e linho), remédios, entre outros elementos que beneficiam as populações.

Estima-se que, atualmente, entre 5% e 8% da produção agrícola global esteja diretamente ligada à polinização animal, o que corresponde a um mercado que varia entre US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões. No Brasil, a riqueza gerada com auxílio dos polinizadores foi estimada em torno de US$ 12 bilhões.

A maioria dos animais polinizadores é silvestre, incluindo mais de 20 mil espécies de abelhas, além de algumas de moscas, borboletas, mariposas, vespas, besouros, trips (insetos da ordem Thysanoptera), pássaros, morcegos e outros vertebrados, como lagartos e pequenos mamíferos.

Entre as espécies que podem ser manejadas pelos agricultores destaca-se a Apis mellifera, conhecida no Brasil como abelha africanizada. Também são bastante empregadas espécies de abelhas sem ferrão, mamangavas e abelhas solitárias (estas não vivem em colônias).

A importância de espécies silvestres e manejadas para a agricultura varia de acordo com o local, sendo que o ideal para a produção agrícola é a combinação entre esses dois tipos de polinizadores.

“Se nos fiamos em apenas uma única espécie polinizadora corremos o risco de essa população se tornar vulnerável a fatores como doenças ou espécies invasoras. Uma estratégia melhor seria empregar polinizadores manejáveis e, ao mesmo tempo, promover condições para a sobrevivência de polinizadores silvestres, como, por exemplo, manter uma área verde ao redor das lavouras na qual existam flores que sirvam de alimento e abrigo para esses animais”, comentou Vanbergen.

Segundo dados da International Union for Conservation of Nature (IUCN), 16,5% das espécies de polinizadores vertebrados estão na chamada “Lista Vermelha”, ou seja, correm risco de extinção global. Embora no caso dos insetos não exista uma Lista Vermelha, avaliações feitas em nível regional e nacional indicam alto nível de ameaça para algumas espécies de abelhas e borboletas – frequentemente, estudos locais indicam que mais de 40% dos invertebrados estão ameaçados.

Na Europa, por exemplo, 9% das espécies de abelhas e borboletas estão ameaçadas. Declínio populacional foi observado para 37% das espécies de abelhas e 31% das borboletas. Segundo Fonseca, no Brasil, há cinco espécies de abelhas em risco de extinção, mas listas regionais podem apresentar um número maior de espécies. “Faltam dados para determinar o número exato de espécies ameaçadas no país. O que sabemos é que as abelhas em geral são muito menos abundantes hoje do que foram no passado”, afirmou.

Principais ameaças e soluções

As atividades humanas estão relacionadas aos principais fatores de risco à sobrevivência dos polinizadores. Entre eles destacam-se as mudanças no uso da terra (quando, por exemplo, uma área florestal é desmatada para dar lugar a pasto, plantações ou área urbana), que na maioria das vezes resulta em fragmentação ou degradação de habitats. Também são citados a agricultura intensiva (monocultura), uso de pesticidas, poluição ambiental, espécies invasoras, patógenos e mudanças climáticas.

Segundo Fonseca, o relatório analisou os dados existentes sobre pesticidas à base de neonicotinoides e os efeitos letais e subletais que produzem nas abelhas. A maioria dos estudos trata de respostas a testes de laboratórios.

“Recentemente, um grande estudo comparativo em campo foi feito na Suécia e demonstrou, pela primeira vez, o efeito negativo sobre os polinizadores silvestres. No entanto, o estudo não confirmou o mesmo impacto sobre as colônias de Apis mellifera da região. Nas prioridades de pesquisas a serem desenvolvidas no Brasil, com relação a ameaças aos polinizadores, este tópico deverá ser contemplado, assim como um levantamento sobre o status de saúde de nossos polinizadores”, comentou a pesquisadora.

O impacto do cultivo de transgênicos, segundo o documento, precisa ser melhor estudado. “Potencialmente, pode haver benefícios, pois plantas transgênicas resistentes a pragas evitariam o uso de agrotóxicos. Mas também pode haver malefícios, pois algumas borboletas polinizadoras são geneticamente muito próximas de espécies consideradas pragas às quais certas plantas transgênicas foram desenvolvidas para matar. Poderiam, portanto, ser afetadas. Há também questões como a possibilidade de escape dos genes introduzidos para populações silvestres de plantas aparentadas geneticamente com a cultura cujas consequências não foram ainda avaliadas”, explicou Breno M. Freitas, professor da Universidade Federal do Ceará e um dos cinco brasileiros que integraram a equipe responsável pelo relatório.

Algumas medidas a serem adotadas na direção de uma agricultura mais sustentável, de acordo com o documento, incluem proteção e restauração de manchas de habitat natural e seminatural em meio à paisagem agrícola; diminuição da exposição dos animais a pesticidas, buscando formas alternativas de controle de praga e novas tecnologias; aprimoramento da criação de polinizadores manejáveis, aumentando sua resistência a patógenos e regulando o comércio e o uso desses animais.

Primeiro do gênero

A elaboração do relatório contou com a colaboração de 77 especialistas, de diversos países, indicados pelos respectivos governos e selecionados pela IPBES com base no perfil científico. Mais de 3 mil artigos científicos publicados em revistas indexadas foram revisados pelo grupo, que também fez uso de outros tipos de documentos, como relatórios governamentais, recursos disponíveis na Internet e conhecimentos locais e indígenas.

“Pela primeira vez, reunimos em um documento as evidências científicas e o conhecimento indígena, bem como as ciências sociais e as ciências biológicas. Tentamos colocar sobre a mesa tudo que é importante saber sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos. Países desenvolvidos e em desenvolvimento apresentaram suas perspectivas e contribuíram igualmente para a construção deste relatório”, avaliou Fonseca.

“Participaram desta reunião (4ª Plenária) os representantes dos países-membros da IPBES. Eles agora vão voltar para suas nações e reportar os dados do relatório aos seus respectivos governos. Há boa vontade entre os governos aqui reunidos e sinto que levarão consigo estes achados para tentar implementar soluções”, disse Vanbergen.

“É uma grande emoção ver este diagnóstico aprovado pelos 124 países que constituem a IPBES, não só pelo novo paradigma de qualidade que este trabalho estabelece em relação a diagnósticos globais de biodiversidade e serviços ecossistêmicos, mas também por ter participado ativamente do planejamento, estruturação e definição do escopo deste documento na 2ª Sessão Plenária da IPBES realizada em Antalya, na Turquia, em dezembro de 2013”, afirmou Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), co-chair do Painel Multidisciplinar de Especialistas (MEP, na sigla em inglês) daIPBES e coordenador do Programa BIOTA/FAPESP.

“É a experiência do BIOTA/FAPESP sendo usada em nível global, tanto do ponto de vista do conhecimento científico, com a enorme contribuição da professora Vera Imperatriz Fonseca, como do ponto de vista da interface ciência-política”, acrescentou Joly.

Para Blandina Felipe Viana, professora da Universidade Federal da Bahia e coautora do documento, a experiência foi muito positiva e enriquecedora para todos os participantes. “Os encontros possibilitaram trocas de experiências e estabelecimento de novas parcerias. O Brasil além de ter contribuído com a expertise da sua capacidade instalada, forneceu importantes evidências sobre o papel dos polinizadores na agricultura e opções para uso e conservação desses animais”, contou. Na avaliação de Freitas, a principal mensagem é que os polinizadores são fundamentais para a alimentação e qualidade de vida humana, bem como para a manutenção da biodiversidade do planeta. “Devemos urgentemente desenvolver políticas públicas que assegurem a conservação e o uso sustentável desses animais.”


Por Karina Toledo | Agência FAPESP

Fonte:
 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Anti-inflamatório pode evitar a morte de vítimas do escorpião amarelo, sugere estudo

 

Com meros 7 centímetros de comprimento, o escorpião amarelo (Tityus serrulatus) não parece muito ameaçador, mas a espécie é, na verdade, a mais peçonhenta da América do Sul. Todos os anos, mais de 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo são vítimas de seu veneno. Dessas, cerca de 3 mil acabam morrendo.
De acordo com dados da literatura científica, a maioria das mortes decorrentes da picada do escorpião amarelo – espécie venenosa prevalente no Sudeste brasileiro – está relacionada a complicações cardíacas e pulmonares que resultam em um quadro de insuficiência respiratória.

Um estudo publicado nesta terça (23/02) por pesquisadores brasileiros na revista Nature Communications sugere que o problema poderia ser evitado – ou pelo menos minimizado – com a pronta administração de medicamentos anti-inflamatórios encontrados em qualquer farmácia, como a indometacina e o celecoxibe.

“Nossos experimentos foram feitos com camundongos, mas há grandes chances de que os resultados se repliquem em humanos, pois as bases moleculares – os mediadores envolvidos na reação inflamatória pulmonar – são iguais nesse caso. Se isso se confirmar, será uma ferramenta importante no pronto atendimento das vítimas e certamente vai diminuir a mortalidade”, avaliou a pesquisadora Lúcia Helena Faccioli, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho foi desenvolvido com apoio da FAPESP durante o pós-doutorado de Karina Furlani Zoccal, no âmbito de um Projeto Temático coordenado por Faccioli na USP.

Conforme explicou a professora da FCFRP-USP, sempre que alguém é picado pelo T. serrulatus ocorre uma reação inflamatória local que causa fortes dores, mas não leva à morte. Em alguns casos, porém, também é desencadeada uma reação inflamatória sistêmica, que pode resultar em edema pulmonar (acúmulo de líquido no pulmão) e prejudicar a respiração.

Até o momento, o consenso entre os cientistas era que a gravidade do quadro de envenenamento dependeria essencialmente da relação entre a massa corporal da vítima e a dose de toxina inoculada. No entanto, o estudo da FCFRP-USP indica que pode haver fatores genéticos relacionados, que influenciariam na capacidade do indivíduo de produzir certas moléculas inflamatórias e anti-inflamatórias.

“Os mecanismos pelos quais essa reação sistêmica é disparada, os mediadores envolvidos, não eram conhecidos e foram objetos do nosso estudo”, contou Faccioli.

Em busca de um suspeito

Em trabalhos anteriores, o grupo coordenado por Faccioli já havia mostrado por meio de experimentos com camundongos que a peçonha do escorpião amarelo era reconhecida por receptores celulares do tipo Toll, que fazem parte do sistema imune inato. Também havia constatado que isso induzia a produção de um mediador inflamatório chamado interleucina-1 beta (IL-1β), além de mediadores lipídicos conhecidos como prostaglandina E2 (PGE2) e leucotrienos B4 (LTB4).

“Partimos, portanto, da hipótese de que o edema pulmonar pós-envenenamento seria induzido pela produção de IL-1β derivada da ativação do inflamassoma. Isso porque dados da literatura sugerem que quando uma substância é reconhecida por receptores do tipo Toll ocorre ativação do inflamassoma”, explicou a pesquisadora.

O inflamassoma é um complexo localizado no citoplasma das células de defesa e formado por várias proteínas, entre elas as caspases. Quando ele é ativado, ocorre a liberação de IL-1β, que induz o processo inflamatório tanto por mecanismo direto quanto indireto, por meio da produção de mediadores lipídicos como PGE2 e LTB4. Estes mediadores são os responsáveis pela atração para o pulmão de outras células de defesa e pelo edema pulmonar, que caracterizam o processo inflamatório. Embora a inflamação seja um mecanismo de defesa essencial, quando exagerada pode levar à morte.

Os primeiros testes in vitro, feitos com macrófagos “selvagens” (sem nenhum gene alterado) de camundongos, confirmaram que o veneno do escorpião amarelo de fato ativa o inflamassoma e induz a produção de IL-1β. Quando o mesmo experimento foi feito com células geneticamente alteradas – sem alguns dos genes codificadores das proteínas que compõem o inflamassoma –, não houve produção de IL-1β e nem de mediadores lipídicos.

O passo seguinte foi testar a hipótese in vivo. Ao analisar o tecido pulmonar de camundongos inoculados com a peçonha do T. serrulatus, os pesquisadores observaram a formação de edema e um aumento no número de neutrófilos (um tipo de célula de defesa) – dois fatores que indicam inflamação. Além disso, havia grandes quantidades de IL-1β, PGE2 e LTB4.

Para ter certeza de que a IL-1β era a peça-chave na reação inflamatória, o grupo usou dois modelos de camundongos geneticamente modificados. Um deles não tinha os genes que codificavam duas das proteínas formadoras do inflamassoma. O outro não tinha o gene da proteína que funciona como receptor de IL-1β nas células.

Nesses dois modelos, todos os animais sobreviveram mesmo quando inoculados com doses letais do veneno, confirmando que sem a atuação da IL-1β o edema pulmonar não progride ao ponto de tornar-se letal.

Aliado desconhecido

Ao analisar o tecido pulmonar desses camundongos geneticamente modificados que sobreviveram às doses letais de veneno, os cientistas notaram que eles produziam menor quantidade de PGE2 e de LTB4 quando comparados aos camundongos “selvagens”.

O grupo então decidiu investigar o papel desses dois mediadores na reação inflamatória e, para surpresa dos cientistas, descobriram que o LTB4 – até então descrito como uma molécula pró-inflamatória – tinha na verdade a função de proteger o tecido da inflamação.

“Fizemos o experimento com animais geneticamente modificados para não produzir a enzima que participa da produção do LTB4. Achávamos que certamente eles iriam sobreviver a uma dose letal do veneno, pois não tinham um dos componentes da resposta inflamatória. Mas, na verdade, observamos que eles morriam bem mais rápido que os camundongos selvagens e tinham uma inflamação pulmonar exagerada, com muita produção de IL-1β e PGE2”, contou Faccioli.

Em seguida, o grupo tratou animais “selvagens” inoculados com doses letais de veneno com indometacina – uma droga inibidora da síntese de prostaglandinas (inclusive a PGE2). Todos sobreviveram.

Por meio de estudos in vitro, o grupo descobriu que a PGE2 aumenta a produção de uma molécula chamada monofosfato cíclico de adenosina (cAMP), que por sua vez leva a um aumento de IL-1β e potencializa a inflamação. Já o LTB4 diminui a produção de cAMP e, consequentemente, de IL-1β.

“Se conseguirmos mostrar que em humanos o edema pulmonar também é mediado por PGE2 e IL-1β, o impacto para a população será grande. As vítimas poderão ser tratadas com medicamentos disponíveis em qualquer farmácia enquanto aguardam a chegada do soro antiescorpiônico”, disse Faccioli.

Em parceria com a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), o grupo pretende dosar todos esses mediadores envolvidos na reação inflamatória pulmonar no soro de pacientes picados pelo escorpião amarelo.

“Também faremos estudos in vitro usando células humanas estimuladas com a peçonha para ver se apresentam o mesmo padrão molecular que observamos nas células de camundongo. Se os resultados forem semelhantes, podemos pensar em um projeto – em parceria com médicos – para tratar vítimas do escorpião amarelo com indometacina”, afirmou Faccioli.


Por
Karina Toledo | Agência FAPESP

Fonte:
 

Rede Brasileira de Centros de Recursos Biológicos devem contribuir para a preservação da biodiversidade nacional


O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) divulgou alterações na Rede Brasileira de Centros de Recursos Biológicos, a Rede CRB-Br, que tem como objetivo principal preservar e fornecer recursos biológicos para aplicações tecnológicas nos setores científico, industrial, de agronegócio, ambiente e saúde. As alterações foram divulgadas, no dia 18 de fevereiro, em Portaria nº 130 do MCTI.

A Rede CRB-BR visa também promover e colaborar para o conhecimento e conservação da biodiversidade e prestar serviços de depósito de material biológico. De acordo com a Portaria, a Rede será constituída por Centros de Recursos Biológicos que atuam nas áreas de agronegócio, saúde humana e animal, ambiental e industrial.

Será criado um portal na internet para promover a interação entre pesquisadores e gestores e divulgação de suas atividades.


Biodiversidade

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) contribuiu, no segundo semestre de 2015, para consulta pública da Lei da Biodiversidade (13.123/2015). A Lei foi sancionada no ano passado e atualmente está em processo de regulamentação.

Leia mais: http://portal.cfmv.gov.br/portal/noticia/index/id/4373/secao/6

Assessoria de Comunicação do CFMV

Por que beijamos (e outros animais não)?


Analisando friamente, beijar é algo um tanto estranho: a troca prolongada de saliva com outra pessoa aumenta a possibilidade de transmitir até 80 milhões de bactérias com um único gesto.

Ainda assim, praticamente todo mundo se lembra de seu primeiro beijo, com todos os detalhes íntimos e deliciosos. E beijar continua sendo uma parte importantíssima do romance.

Quem vive nos países do Ocidente pode pensar que o beijo na boca é um comportamento humano universal.

Mas um estudo recente, realizado por especialistas das Universidades de Nevada e Indiana, nos Estados Unidos, sugere que menos da metade das culturas do mundo adota o gesto. Beijar também é extremamente raro entre os bichos.

De onde vem o beijo, então? Se é algo útil, por que não é adotado por todos os humanos e outros animais?
 

Invenção recente

Bem, pode ser justamente o fato de outros não beijarem o que explicaria nossa preferência pelo gesto.

Segundo o estudo americano, que analisou 168 sociedades em todo o mundo, apenas 46% delas cultivam o hábito do beijo como uma demonstração romântica. Anteriormente, pensava-se que seriam 90%. A pesquisa excluiu o beijo entre pessoas da mesma família e se concentrou apenas no beijo na boca entre casais.


 Thinkstock
Os chimpanzés costumam se beijar depois de uma briga

Muitas sociedades que se baseiam na caça não demonstraram interesse em beijar, e algumas até consideram o ato repugnante. A tribo dos Meinacos, que vive no Xingu, teria se referido ao ato como "nojento", de acordo com os pesquisadores americanos.

Como esses grupos são os que possuem um estilo de vida mais próximo do de nossos ancestrais, é possível imaginar que o beijo tenha sido uma invenção recente.

Segundo o antropólogo William Jankowiak, um dos autores do estudo, o gesto parece ser um produto das sociedades ocidentais, passado de uma geração a outra.



'Aspirar a alma'

Algumas evidências históricas ajudam a comprovar essa tese.

O psicólogo Rafael Wlodarski, da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, passou um pente fino em inúmeros estudos para encontrar indícios de como o beijo mudou ao longo do tempo.

O sinal mais antigo de um comportamento parecido com o beijo vem de textos em sânscrito védico hindu de mais de 3,5 mil anos atrás. Neles, beijar é descrito como "aspirar a alma um do outro".

Por outro lado, hieróglifos egípcios retratam pessoas perto umas das outras, mas não com seus lábios colados.

Será, então, que o beijo é algo natural que algumas culturas reprimiram?

A melhor maneira de descobrir é observando os animais.
 


Thinkstock
Os machos da aranha viúva negra conseguem sentir pelo olfato o melhor momento de copular 

O poder dos odores

Os chimpanzés e os bonobos, nossos parentes mais próximos, se beijam.

O primatólogo Frans de Waal, da Universidade Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos, já presenciou várias cenas de chimpanzés se beijando e se abraçando após um confronto. Para eles, o beijo é uma forma de reconciliação, e é mais comum entre machos. Ou seja, não é um ato romântico.

Já os bonobos se beijam com mais frequência e costumam usar suas línguas no gesto. Isso talvez não seja surpreendente porque essa espécie é altamente sexual: quando dois seres humanos são apresentados pela primeira vez, provavelmente trocam um aperto de mão; já os bonobos fazem sexo. Portanto, seus beijos não são necessariamente românticos.

Esses dois primatas são uma exceção. Até onde se sabe, outros animais não beijam. Alguns podem esfregar os rostos mas não trocam saliva ou estalam seus lábios.

Em vez disso, as espécies exalam odores tão fortes para atrair o sexo oposto que elas não precisam se aproximar para senti-lo. O principal componente desse odor são os feromônios, que despertam o desejo de acasalar.

Mamíferos como o javali, o hamster e o rato têm um olfato apurado e seguem o rastro dos odores para conseguir encontrar parceiros geneticamente diferentes.

Até mesmo as aranhas são dotadas do mesmo recurso: o macho da viúva negra consegue sentir o cheiro dos feromônios liberados pela fêmea que sinalizam se ela está de barriga cheia. Ele só se acasala com ela se entender que ela não está faminta e não o matará após a cópula. 


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Os elefantes demonstram afeição usando as trombas

Ou seja, os animais não precisam chegar muito perto uns dos outros para encontrar um bom parceiro em potencial.

O ser humano possui um olfato bastante rudimentar. Portanto, chegar bem perto de outra pessoa pode ser uma vantagem. E estudos mostram que, apesar do odor não ser o único sinal que usamos para avaliar se um parceiro é apropriado, ele tem um papel fundamental nessa escolha.
 

Suor masculino

Um estudo publicado em 1995 mostrou que as mulheres, assim com os camundongos, preferem os odores dos homens geneticamente diferentes delas. Isso faz sentido, já que a mistura de genes distintos tende a produzir filhotes mais saudáveis. Ou seja, beijar pode ser uma ótima maneira de se estar próximo o suficiente para farejar os genes do parceiro.

Em 2013, Wlodarski entrevistou centenas de voluntários sobre suas preferências na hora do beijo. A importância do cheiro foi citada pela maioria deles, e aumentava ainda mais quando as mulheres estavam em seu período mais fértil.

Cientistas descobriram que os homens também produzem uma versão do feromônio que é tão atraente entre os animais. O hormônio está presente no suor masculino e, quando as mulheres o percebem, tendem a ficar ligeiramente mais excitadas.

Segundo Wlodarski, os feromônios são essenciais na escolha de parceiros entre os mamíferos, e nós, humanos, temos alguns deles.

Desse ponto de vista, o beijo seria apenas uma maneira culturalmente aceitável de se chegar perto o suficiente de alguém para detectar seus feromônios.

Em algumas culturas, esse comportamento evoluiu para o contato físico entre os lábios. "É difícil saber quando exatamente isso aconteceu, mas o objetivo do beijo é o mesmo do farejar entre os animais", conclui o cientista.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Earth.