segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O que é falso e o que é verdadeiro nos boatos sobre zika

Reuters 

Nas últimas semanas, mensagens escritas e em áudio nas redes sociais – especialmente no WhatsApp – têm criado alarme na população ao narrar cenários catastróficos sobre o surto de zika vírus e sua relação com a epidemia de microcefalia no país.

Até o dia 30 de janeiro, foram notificados, segundo o Ministério da Saúde, 4.783 casos suspeitos de microcefalia, má-formação que prejudica o desenvolvimento do cérebro do bebê.

Destes, 404 casos de microcefalia foram confirmados - 17 têm ligação confirmada com o zika vírus, os outros estão sendo investigados. Outros 709 foram descartados e 3.670 continuam sob investigação.
O Ministério da Saúde, a Fiocruz e especialistas consultados pela BBC Brasil explicam o que é falso, o que é verdadeiro e o que ainda não está totalmente confirmado entre as afirmações dessas mensagens.

Falso: Vacinas contra sarampo e coqueluche causaram microcefalia

Diversos boatos circulam nas redes sociais dizendo que vacinas estragadas contra rubéola dadas a grávidas teriam causado microcefalia.

Esta informação é falsa. Primeiro, grávidas não recebem esta vacina. Segundo, de acordo com especialistas e o Ministério da Saúde, as vacinas distribuídas pela pasta são seguras e passam por controle de qualidade.
Também há uma outra teoria, que partiu de um suposto estudo conduzido por um pesquisador independente chamado Plínio Bezerra dos Santos Filho, dizendo que o problema foi a oferta da mesma vacina - não estragada, dentro do prazo de validade - para mulheres em período fértil - e não para grávidas, como diz o outro boato.

O Ministério da Saúde afirma que "as vacinas dupla e tríplice viral são usadas mundialmente, e não haveria condições de isso (más-formações) ocorrer apenas no Brasil" se a culpa fosse da imunização em período fértil.

thinkstock 
Para Ministério da Saúde, 'não há até o momento nenhuma evidência científica nacional ou internacional que relacione microcefalia à administração da vacina dTpa (anticoqueluche) ou qualquer vacina que faça parte do calendário nacional de imunização'  

Além disso, esse "estudo" diz que a vacina contra coqueluche, aplicada no último trimestre de gestação, também teria influenciado no aumento dos casos.
Mas, segundo especialistas e o Ministério da Saúde, estas informações também não se confirmam.
O ministério diz que aplica em gestantes uma vacina contra coqueluche recomendada pela OMS e diz que ela, na verdade, "é comprovadamente uma estratégia importante na prevenção de adoecimento e morte de crianças pequenas".
"Não há até o momento nenhuma evidência científica nacional ou internacional que relacione o aparecimento da microcefalia à administração da vacina dTpa (anticoqueluche) ou qualquer vacina que faça parte do calendário nacional de imunização", afirma o órgão.
De acordo com Pedro Tauil, infectologista da UnB, a vacina contra rubéola tem o vírus atenuado e, se ficassem no organismo seria apenas pelo período em que a própria doença fica, ou seja, cerca de uma semana - e não um ano, como diz o boato.
A vacina contra a coqueluche, segundo ele, também é segura e recomendada pela Organização Mundial de Saúde.
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Não há confirmação: Há aumento expressivo de casos de síndromes neurológicas associadas à zika

Ao menos seis Estados do Nordeste registraram, em 2015, aumento no número de casos registrados de Síndrome de Guillain-Barré, uma rara doença neurológica autoimune que pode ser provocada por diversos vírus e bactérias, incluindo o zika vírus, a dengue e a chikungunya.
A doença, que tem tratamento, provoca paralisia muscular e, em casos graves, pode atingir os músculos do tórax e impedir a respiração.

A OMS diz que pesquisadores estão estudando "uma relação potencial - mas não comprovada - entre surtos de Guillain-Barré e infecções pelo vírus da zika".
Segundo a organização, sete países reportaram um aumento na incidência de casos de microcefalia e síndrome de Guillain-Barré desde o surgimento de surtos de zika.

No Brasil, a síndrome passou a ser registrada com mais frequência depois que foi confirmado que o vírus da zika poderia causá-la. Normalmente, os serviços de saúde não são obrigados a notificar ocorrências da doença para as secretarias estaduais.

O governo monitora a situação pelos registros de internações e atendimentos ambulatoriais relacionados à doença, que revelaram aumento nos casos no ano passado em relação a 2014.
Houve, por exemplo, 29,8% mais internações (1.868 em 2015 ante 1.439 em 2014) e 8,1% mais atendimentos ambulatoriais (69.703 ante 64.422). A alta foi puxada pelos Estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

O governo do Rio de Janeiro anunciou que tornará obrigatória a notificação de casos, após registrar 17 ocorrências de junho a janeiro passado.
No entanto, segundo o ministério da Saúde, não é possível estabelecer se esses casos foram causados pela infecção por zika, e a ocorrência de Guillain-Barré relacionada ao vírus continua sob investigação.

"Temos visto um aumento dos casos de Síndrome de Guillain-Barré sim, o que faz sentido, já que temos um surto de dengue, zika e chikungunya", diz a médica pernambucana Maria Angela Rocha, chefe do serviço de infectologia do Hospital Oswaldo Cruz, em Recife, e parte do grupo de pesquisa sobre o zika vírus e a microcefalia em Pernambuco.

"Mas não é nada como o aumento de casos de microcefalia que tivemos, que é muito fora do padrão."
De acordo com o vice-diretor do Instituto de Microbiologista da UFRJ Davis Fernandes Ferreira, a Polinésia Francesa registrou 20 vezes mais casos de Síndrome de Guillain-Barré após o surto de zika em 2014.
"Nós estamos vivendo possivelmente um dos maiores surtos documentados de zika vírus. Ainda estamos coletando os dados e tentando entender a relação entre ele e a síndrome."
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Falso: Crianças de 1 a 7 anos e idosos estão apresentando 'sequelas neurológicas graves' após zika

Segundo as autoridades de saúde, não está havendo nenhuma mudança significativa nos padrões de casos de danos neurológicos graves em crianças - além do que, estes podem ser provocados por vários fatores, e não necessariamente pelo vírus da zika.

Foto: ABr 
Médicos ainda investigam se leite materno pode transmitir zika vírus, mas não recomendam parar amamentação  

"O vírus da zika e outros, como varicela, herpes vírus, enterovírus e até dengue, podem causar outros danos neurológicos – encefalites, cerebelites e neurites (inflamações no sistema nervoso) –, mas no cenário atual não está havendo grande aumento desses casos em crianças. Isso acontece talvez em 1% dos casos totais e geralmente em pacientes com baixa imunidade", diz a neuropediatra Maria Durce Carvalho, que acompanha casos de microcefalia e outras infecções no Hospital Oswaldo Cruz, em Recife.

"Não sei de onde vem essa informação de que crianças de até sete anos seriam mais suscetíveis, mas não é bem assim", afirma.
Um dos áudios que circulam no WhatsApp diz que há crianças "chegando aos hospitais já em coma" em Pernambuco. Mas em nota sobre os boatos, a Secretaria de Saúde do Estado diz que "não está sendo observada, em qualquer idade, mudança no padrão de ocorrência dos casos de encefalite relacionados ao vírus da zika ou qualquer outro vírus".
"As crianças ou adultos podem apresentar diversos sintomas neurológicos, sendo que estas complicações têm ocorrido numa frequência muito baixa", afirma o comunicado.

O Ministério da Saúde, por sua vez, diz que "entre pessoas infectadas pelo vírus da zika, cerca de 80% não desenvolvem sintomas, sejam adultos ou crianças. Entre essas pessoas, apenas uma pequena parcela pode vir a desenvolver algum tipo de complicação, que deverá ser avaliada pelos médicos, uma vez que o zika é uma doença nova e suas complicações ainda não foram descritas".

Em estudo: Zika pode ser transmitida por fluidos corporais (sêmen, saliva, urina, leite materno, etc.)

Alguns trabalhos científicos internacionais identificaram a presença do vírus da zika no sêmen e no leite materno, mas os cientistas ainda pesquisam se a doença realmente pode ser transmitida por eles.
Na última sexta-feira, a Fiocruz constatou a presença do vírus zika ativo - com potencial de provocar infecção - na saliva e na urina, o que abriria a possibilidade de transmissão pela via oral, ainda sendo investigada. Por enquanto, ainda não é possível afirmar com certeza que o vírus é contagioso dessa forma.

Ainda assim, a entidade sugere a grávidas que evitem aglomerações, não compartilhem talheres ou copos ou beijem pessoas com suspeita de zika.
No caso da transmissão sexual, "(ela) seria possível, porque já há publicação e relato de pessoas com quem isso aconteceu. Mas é uma situação única, porque a pessoa tem que estar infectada, doente e ter relação exatamente nessa época. Não seria uma forma principal de infecção, mas é importante se prevenir", diz o microbiólogo Davis Ferreira.

Também na sexta-feira, o Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC na sigla em inglês) emitiu comunicado sugerindo que gestantes em áreas da epidemia da zika - ou cujo parceiro viajou para áreas de risco - abstenham-se de relações sexuais desprotegidas.

Em 2011, um estudo divulgado na publicação científica Emerging Infectious Diseases registrou o caso de um cientista americano que, ao voltar do Senegal, que passava por um surto de zika, teve os sintomas da infecção em casa. Sua mulher, que não havia saído dos Estados Unidos, foi infectada pelo vírus, o que levou à interpretação de que ela teria sido infectada pelo sêmen do marido.
Foto: Thinkstock
Zika vírus pode, assim como outros vírus e bactérias, causar inflamações no sistema nervoso em pessoas de todas as idades, segundo autoridades de saúde
Na última terça-feira, o CDC informou que "o laboratório do CDC confirmou o primeiro caso de zika vírus em um não viajante." Como a pessoa infectada não havia saído do país e estava em uma área que não tem presença de Aedes aegypti, o centro acredita que a transmissão tenha ocorrido por contato sexual.

O vírus também foi encontrado em amostras de leite materno de duas mães na Polinésia Francesa. No entanto, o vírus encontrado não era do tipo replicante, que transmite a doença.
Para Ferreira, é difícil que o vírus no leite cause infecção no bebê, já que o zika não é adaptado para a transmissão por via oral. "Transmitido pelo leite, ele teria que passar pelo estômago do bebê, e o suco gástrico (que ajuda a digerir os alimentos) é muito hostil", diz.

Segundo a Secretaria de Saúde de Pernambuco, ainda não existem provas suficientes de que o vírus possa ser transmitido pelo leite materno para que se recomende interromper a amamentação. Além da nutrição do bebê, o leite materno é importante para protegê-lo de doenças.
Além disso, os especialistas esclarecem que, ainda que infectado pelo vírus, o bebê recém-nascido não desenvolveria microcefalia, porque seu cérebro já está praticamente formado.

Verdade: A melhor proteção contra a zika é combater o mosquito Aedes aegypti

Até o momento, não há vacina contra o zika vírus no mundo. E o processo de desenvolvimento e aprovação de uma pode levar até 10 anos, segundo o Ministério da Saúde.

Além disso, atualmente é difícil até mesmo diagnosticar a doença e diferenciá-la com certeza da dengue e da febre chikungunya.

EPA 
Governo engajou Exército no combate ao mosquito  

Portanto, a melhor forma de se prevenir continua sendo evitar o contato com o mosquito Aedes aegypti, que transmite todas elas.

Além de evitar manter água parada em reservatórios sem tampa ou em utensílios domésticos, é essencial usar repelente tanto em adultos quanto em crianças após os seis meses de idade.
Para gestantes e recém-nascidos, recomenda-se também usar roupas longas, que deixem menos partes do corpo expostas.

Algumas mensagens no WhatsApp recomendam o uso de repelentes caseiros, mas, segundo os médicos, não há comprovação de que eles sejam eficientes.
Nas farmácias, há repelentes à base de substâncias como DEET, EBAAP e Icaridina, em concentrações diferentes. Todos eles podem ser usados por gestantes e por crianças a partir dos 2 anos. Para as crianças, no entanto, são recomendados repelentes menos concentrados.

Os médicos recomendam passar o produto na pele e por cima das roupas, especialmente nos horários que os mosquitos mais atacam, à noite e no início da manhã.
  • Esta reportagem foi publicada originalmente em 10 de dezembro e atualizada com novos "rumores" de grande circulação nas redes sociais.
  • Colaboraram Marina Wentzel, da Basileia (Suíça), Luciani Gomes, do Rio, e Luiza Bandeira, de Londres.
 Fonte:
 

Ex-ministro da Saúde apoiará pedido de aborto legal por microcefalia no STF







A presidente Dilma nunca falou sobre o assunto (aborto) e nenhum dos ministros que me sucedeu tocou no tema. Eu me arrisquei, botei meu rosto no debate e nunca recuei', diz Temporão 


O ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão (PSB-RJ) diz que apoiará a ação pelo direito legal ao aborto de fetos com microcefalia, que deve ser levada ao Supremo Tribunal Federal nas próximas semanas.

"Me coloquei à disposição (do grupo que levou a questão ao Judiciário) e vamos continuar em contato", diz Temporão, ministro entre 2007 e 2011, no segundo governo Lula. "Eu apoio que isso seja levado ao Supremo e que se levante a discussão."
Nas palavras do médico, atual diretor executivo do Instituto Sul-americano de Governo em Saúde (ISAGS), o projeto "já nasceria derrotado" caso a discussão acontecesse na Câmara dos Deputados. "Jamais passaria. Este é talvez o mais reacionário corpo de deputados e senadores da história republicana", diz.

Daí vem a escolha pelo poder Judiciário. "O Brasil vive um momento na política em que o cinismo, a mentira e a hipocrisia têm que terminar no contexto do aborto. Temos que enfrentar a realidade e deixar de fingir que não estamos vendo o que acontece. Abortos ilegais são feitos todos os dias nas camadas mais ricas da sociedade."

Como a BBC Brasil revelou na última quinta-feira, o mesmo grupo de advogados, acadêmicos e ativistas que articulou a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos no STF, acatada em 2012, se organiza para levar ação similar à Suprema Corte em meio à epidemia de microcefalia que se espalha pelo país.

À frente da ação, a professora Debora Diniz diz que a interrupção de gestações "é só um dos pontos de uma ação maior", que também cobra políticas que erradiquem o mosquito Aedes aegypti, vetor do zika vírus, e garantias de acompanhamento e tratamento de crianças com deficiência ou má-formação por conta da doença.

'Que país é este?'

Durante seu mandato como ministro, Temporão defendeu publicamente, por diversas vezes, o direito à escolha pelo aborto legal como questão de "saúde pública". Na época, chegou a afirmar que a discussão era conduzida no país "de forma machista".
 

Avanço da microcefalia e do zika vírus nas Américas foi declarado emergência internacional pela OMS nesta semana  


"A presidente Dilma nunca falou sobre o assunto e nenhum dos ministros que me sucedeu tocou no tema. Eu me arrisquei, botei meu rosto no debate e nunca recuei", diz hoje, se definindo como um "homem militante da causa feminista".

"A questão tratada nesta demanda ao Supremo se refere aos direitos da mulher", prossegue Temporão. "Caso seja comprovada esta relação entre zika e microcefalia, a mulher deve ter o direito de levar a gravidez adiante ou não."

O avanço da microcefalia e do zika vírus nas Américas foi declarado como emergência internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em reunião em Genebra nesta segunda-feira. Segundo a organização, o zika seguirá se alastrando rapidamente pelo continente e poderá afetar até 4 milhões de pessoas neste ano, com até 1,5 milhão de vítimas no Brasil.

A OMS ainda investiga a "potencial" relação entre o vírus e os casos de microcefalia, diz Bruce Aylward, diretor-executivo da instituição.
"Nesta etapa, o que precisamos é obter mais evidências científicas e de saúde pública que deem substância à questão que irá ao Supremo", argumenta Temporão. "Há robustas evidências epidemiológicas e clínicas, mas ainda não há comprovação determinada e absoluta. Por isso coloquei que é muito importante ouvir e ler mais sobre o tema."

O ex-ministro, que atendeu ao telefonema da reportagem em um hotel em Quito, no Equador, cita diversas o médico Drauzio Varella, que afirmou à BBC Brasil nesta terça-feira que a proibição do aborto no Brasil "pune quem não tem dinheiro".
"Que país é este que faz vista grossa para que a classe média faça o aborto e coloca na cadeia aquelas que ousam fazer, mas são pobres?", indaga Temporão, afirmando que o Brasil e a maioria dos países da América Latina estão entre os "mais atrasados do mundo" na legislação sobre o aborto legal.

'Falsa impressão'

Para o médico, que não quis comentar a gestão do atual ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB-RJ), "é um absurdo que a sexta economia do mundo tenha índices tão altos de infestação" pelo vírus.
"Basta comparar bairros mais ricos e mais pobres, a diferença (na incidência da doença) é gritante. Isso coloca em risco de maneira diferenciada essas mulheres", afirma.
Temporão afirma que haveria "uma falsa impressão" de que epidemia seria fruto da "negligência das pessoas". Para o ex-ministro, a principal culpa é do Estado, que não ofereceria "coleta de lixo, fornecimento correto de água e esgotamento sanitário" de forma adequada.
"Cerca de 80% dos focos no Nordeste não estão lá por culpa das famílias. Elas não têm acesso a água de forma contínua, por isso estocam. O Brasil enfrenta surtos permanentes de zika, dengue e chikungunya há 30 anos porque estas questões não foram atacadas."

Fonte:
 

Pesquisadores criam método que permite detectar Zika em sangue de transfusão

Hemocentro de São Paulo usará teste desenvolvido com apoio da FAPESP para triar bolsas destinadas a gestantes e a transfusões intrauterinas (foto: Wikimedia Commons)

Karina Toledo | Agência FAPESP

Um método para detectar a presença do vírus Zika no sangue usado em transfusões foi desenvolvido no âmbito de um projeto apoiado pela FAPESP e coordenado por José Eduardo Levi, chefe do Departamento de Biologia Molecular da Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo – instituição ligada à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
De acordo com o pesquisador, inicialmente, a metodologia seria indicada apenas para a triagem de bolsas de sangue destinadas a gestantes ou a transfusões intrauterinas (nas quais o sangue é transfundido diretamente no feto). A iniciativa é medida de precaução, já que não existe confirmação de que a transmissão transfusional do vírus represente risco ao feto.

“No caso do Zika, a grande preocupação é com grávidas e fetos. Achamos que não seria boa ideia, nesses casos, usar sangue com risco de ter o vírus. Nossa proposta foi fazer um teste para ser usado em um pequeno número de bolsas de sangue – 0,16% do estoque do banco de sangue – destinado a esse público-alvo. Pretendemos começar a aplicar o teste no Hemocentro de São Paulo logo após o Carnaval”, afirmou.

Desde o início da epidemia de Zika no Brasil, em 2015, pelo menos dois casos de transmissão por meio de transfusão sanguínea foram confirmados no Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), interior de São Paulo.

Em relação à dengue, já é conhecida a possibilidade de ocorrer transmissão transfusional. Segundo Levi, estima-se que até 1% dos doadores de sangue – nos períodos de pico epidêmico – sejam positivos para o vírus da dengue no momento da doação, mas não é feita nenhum tipo de triagem laboratorial.

“Isso nunca foi considerado um problema, pois, na maioria das vezes, o receptor do sangue nem sequer chega a desenvolver a doença. No Brasil, nunca foi detectado um caso grave de dengue transfusional. Esse primeiro receptor contaminado com Zika em Campinas também não apresentou sintomas da doença, embora tenha sido confirmada a presença do vírus em seu sangue (o segundo paciente morreu em decorrência dos ferimentos por arma de fogo que levaram à necessidade de transfusão). De maneira geral, ainda não há evidências de que o vírus Zika seja algo problemático do ponto de vista transfusional, com exceção das grávidas”, explicou o pesquisador. "Não temos evidência, por exemplo, de que o Zika adquirido pela via transfusional possa causar microcefalia, mas acreditamos que exista uma alta probabilidade de que isso ocorra."

Levi também é professor do Instituto de Medicina Tropical da USP e integra a chamada Rede Zika – grupo articulado de maneira emergencial no último mês de dezembro, sob a coordenação do professor Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, para tratar de questões relacionadas à epidemia de Zika e aos crescentes casos de microcefalia associados.

“Já estava em andamento um projeto, apoiado pela FAPESP, dedicado à prevenção da transmissão transfusional da malária no Estado de São Paulo. Em dezembro, solicitamos um recurso adicional que foi usado no desenvolvimento do teste para detectar o vírus Zika”, contou Levi.

A metodologia alia um método de biologia molecular conhecido como PCR (reação em cadeia da polimerase) em tempo real a protocolos desenvolvidos no Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, para detecção do vírus Zika.

“O protocolo do CDC sugere alguns reagentes específicos, primers e sondas, já testados e aprovados para detecção do vírus Zika usando PCR em tempo real. Fizemos algumas adaptações nesse protocolo aqui no Hemocentro de São Paulo”, contou.

A validação do método foi feita com controles positivos (isolados do vírus cultivados em laboratório que servem para confirmar se o que está sendo detectado é de fato o vírus Zika) fornecidos por pesquisadores da Rede Zika.

“Depois validamos também no plasma do receptor contaminado por transfusão – gentilmente cedido pelo dr. Marcelo Addas, do Hemocentro da Unicamp. Como obtivemos sucesso, já distribuímos o método para a Rede Zika, para quem quiser usar”, contou Levi.

Diante da falta de evidências sobre a importância de triar todo o sangue doado para a presença do vírus Zika, avaliou Levi, não haveria possibilidade e/ou necessidade de incluir o teste na rotina de todos os bancos de sangue do país. “Estamos observando atentamente a evolução dos casos e, se forem surgindo evidências de que isso é necessário, vamos batalhar para obter mais recursos. Por enquanto o que entendemos prudente é triar apenas essa pequena parcela”, avaliou. 


Fonte:
 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Mapa interativo vai auxiliar a população no combate ao Aedes aegypti

Na batalha contra o Aedes aegypti, a população contará com um novo site onde poderão ser feitas denúncias de focos e criadouros do mosquito. Trata-se de um mapa interativo que permitirá que a população colabore com o poder público, indicando pontos em que há evidências da presença do Aedes. O anúncio da nova ferramenta foi feita nesta sexta-feira (29) pelo governador Geraldo Alckmin.

As denúncias serão direcionadas aos gestores das 645 cidades paulistas para que os municípios providenciem ações de eliminação e bloqueio de criadouros nesses locais. Os registros também serão acompanhados por agentes da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) e pela Sala de Comando e Controle Estadual das Arboviroses, criada em 2015 para monitorar a presença do Aedes aegypti no Estado e a evolução dos casos de doenças transmitidas pelo mosquito.

O site também permitirá o acesso a videoaulas com orientações e instruções relacionadas ao mosquito transmissor, à prevenção e proteção contra as doenças transmitidas pelo Aedes. Além disso, estarão disponíveis materiais informativos da campanha “Todos Juntos Contra o Aedes aegypti”, como banners e cartazes.

A ferramenta estará disponível no site da Secretaria de Estado da Saúde.

Do Portal do Governo do Estado 


Fonte:

Aplicativo do programa de combate ao mosquito Aedes aegypti entra no ar




Emplasa desenvolveu a página, que permitirá à população indicar possíveis focos do transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus.

O aplicativo do projeto "Todos juntos contra o Aedes aegypti" já está disponível no endereço eletrônico http://www.aedes.emplasa.sp.gov.br/, desenvolvido pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) para apoiar as ações do programa de combate ao mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus. Os usuários também podem acessar o aplicativo pela página da Emplasa, na área de sites relacionados.

O novo site vai permitir a participação ativa da sociedade via celulares, tablets e computadores. A página permite que a população tenha acesso aos informativos da campanha e indique focos com possíveis criadouros do Aedes. A Emplasa forneceu as bases de dados georreferenciados de interesse da campanha.

O aplicativo faz parte do trabalho de combate ao mosquito, intensificado pelo governo paulista no fim de 2015. Em dezembro do ano passado, o Estado de São Paulo anunciou a criação a Sala de Comando e Controle Estadual das Arboviroses, para monitorar a evolução dos casos de doenças transmitidas pelo Aedes. A força-tarefa conta ainda com a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, a 


Defesa Civil e o Exército.

Estão previstos ainda mutirões a partir deste mês, inicialmente em 20 municípios considerados prioritários segundo critérios de infestação e transmissibilidade. Os municípios que receberão os agentes da força-tarefa são: Campinas, Araçatuba, Ibitinga, Bauru, Tupã, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Presidente Epitácio, Presidente Prudente, São Vicente, Guarujá, São Sebastião, Ourinhos, Andradina, Birigui, Fernandópolis, Sertãozinho, São José dos Campos e Guaíra, além da Capital. O Estado de São Paulo está também na reta final para produzir a primeira vacina brasileira contra a dengue.


Fonte:

Bancos de sangue veterinários sofrem com pouca visibilidade e estoques baixos

Iniciativa ainda pouco comum, a doação de sangue de animais domésticos segue praticamente desconhecida no Brasil, onde bancos veterinários sofrem para contornar baixos estoques – e salvar vidas.

"Nossos estoques estão quase sempre zerados", disse à BBC Brasil a veterinária Lívia Mendes Miranda, do Hospital Veterinário Anhembi Morumbi, que possui um dos maiores bancos de sangue privados do país.

Essa é a realidade dos veterinários Alan Wermelinger e Bernardo Paiva. Eles são donos do banco de sangue para animais domésticos Hemoterapet em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e reclamam da dificuldade de conseguir doações.

"Muitas pessoas só descobrem que a gente existe quando o animal delas precisa de uma transfusão, seja por doença, como anemia, ou cirurgia. Além disso, há pouca divulgação e inexiste qualquer tipo de campanha a nível federal sobre o tema", afirmou Paiva à BBC Brasil.
Criadores de animais

Por causa dos estoques baixos, os veterinários acabam tendo de recorrer a doadores cativos, como criadores de animais.

A psicóloga Márcia Araújo é uma delas. Ela tem três dogues alemães, que já doam há bastante tempo.

"Quando um animal se acidenta ou fica doente e precisa de transfusão de sangue como qualquer ser humano, os cães e gatos têm de tirar sangue de algum lugar. Que seja de animais saudáveis como em criações como a minha ou de outros criadores que criam com todo carinho e amor, que prezam pela saúde de seus animais", defendeu Márcia.

O procedimento para a coleta de sangue é indolor e dura menos de cinco minutos, mas tem alguns pré-requisitos.

"No caso dos cachorros, é preciso ter entre um e oito anos e ter mais de 25 quilos. No caso dos gatos, é preciso ter entre um e oito anos também e ter mais de quatro quilos", afirmaram Wermelinger e Paiva.

"Os animais precisam ser dóceis, estar vacinados e vermifugados, não terem doença e nunca terem recebido transfusões de sangue", acrescentaram.

Mais desafios

Segundo o veterinário Rafael Galesco, dono do banco de sangue veterinário BSVET, em São Paulo, outro desafio que dificultaria a ampliação do setor é a falta de uma regulamentação específica.

"Até hoje, não há regulamentação específica para esse tipo de banco de sangue veterinário pelo Conselho de Medicina Veterinária", criticou.

Galesco, que produz 50 bolsas (cada tem cerca de 400 a 450 ml) por mês, provenientes de seu próprio canil, diz que já trabalha no "limite" e defende maior conscientização dos doadores para elevar o número de doações.

"Já temos vários limitações, como o peso do doador. Quem hoje tem um cachorro de 25 quilos? As pessoas vivem em apartamento. Imagine ainda transportar o animal até uma clínica para fazer a doação. Por isso, precisamos de mais doadores e maior divulgação da atividade", explicou ele.

Em nota enviada à BBC Brasil, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMVSP) informou que "não há regulamentação específica na Medicina Veterinária, devendo os bancos atenderem as especificações para humanos, como forma de orientação".

Fonte:
 

Qual é o animal mais gordo do mundo? As aparências enganam, e muito

E determinar o "campeão da gordura" nem de longe é uma questão de tamanho. Um exemplo: a baleia azul. O maior animal do mundo é o que também conta com a maior quantidade de gordura. Em um estudo de 1968 envolvendo 49 espécies de mamíferos dos Estados Unidos e do Brasil, pesquisadores descobriram que o cetáceo tinha a maior percentagem de gordura corporal - mais de 35%.
Baleias azuis carregam imensa quantidade de gordura - mas proporcionalmente há animais mais gordos 

Como as baleias azuis pesam até 180 toneladas, a quantidade de gordura no corpo delas é uma espécie de recorde mundial.

Mas isso em valores absolutos. Se os critérios forem quanto à proporção de gordura, teremos surpresas com alguns dos animais mais “gordos”.

Comecemos com o blubber, nome dado ao tecido adiposo de mamíferos marinhos, e cujas funções vão desde ser uma reserva de energia à defesa contra impactos e auxilio para a flutuação.

As baleias de blubber mais espessa são as da espécie franca. Ganharam o apelido em inglês de baleias “certas” durante o auge da caça aos cetáceos, no século 19. “Elas são lentas e gordas e, quando arpoadas, flutuavam, o que ajudava na captura. A maioria das outras baleias afunda”, explica Sam Ridgeway, presidente da National Marine Mammal Foundation, em San Diego (EUA)


Óleo

Essas baleias flutuam porque têm alta percentagem de lipídios em seu blubber. Elas estão praticamente extintas por causa da caça indiscriminada – no século 19, seu óleo era usado para fazer desde sabão a combustível de lamparinas.

As baleias-da-groenlândia, que vivem no Ártico, sobrevivem às águas geladas graças a uma camada gordurosa de quase um metro de espessura. O biólogo marinho Craig George descobriu que seu percentual corporal de gordura blubber variava entre 43% e 50% de sua massa. “Mas essas baleias também têm lipídios em suas línguas, intestinos e mesmo ossos, o que sugere um percentual total maior”, afirma George. Image copyright NPL Image caption O óleo da baleia franca era usado para fazer sabão

NPL O óleo da baleia franca era usado para fazer sabão 

Pinipídeos - a família de animais que inclui focas e leões-marinhos - também disputam o título de animal mais gordo do mundo. Filhotes recentemente desmamados em especial podem atingir altos percentuais de gordura após se alimentar do leite de suas mães, que é extremamente rico em lipídios. Filhotes de elefantes-marinhos, por exemplo, podem chegar a 50% de gordura no corpo.

Mas tal percentual não é definitivo. Perto da água, leões-marinhos podem parecer gordos, mas medições feitas em fêmeas adultas na Groenlândia revelaram que elas tinham percentual de massa muscular de até 44% e só 18% de gordura blubber.

As aparências também enganam com hipopótamos: pelo menos 18% da tonelada e meia que costumam pesar é pura pele: debaixo de uma camada de no mínimo 5 cm, os mamíferos têm um revestimento relativamente fino de gordura. Image copyright Alamy Image caption Morsas não são tão gordas quanto parecem

Alamy Morsas não são tão gordas quanto parecem 

Animais terrestres também podem ser “enganosos”. Castores, por exemplo, têm consideráveis reservas gordurosas em suas caudas. Com apenas alguns ossos, ligamentos e músculos, as caudas são basicamente feitas de gordura e podem chegar a 45cm de comprimento e 20cm de largura. Image copyright NPL Image caption E hipopótamos também...
NPL E hipopótamos também... 

Assim como as baleias, os depósitos de gordura dos castores eram cobiçados por caçadores no passado. Felizmente, a espécie está se recuperando graças a esquemas de repovoamento.

Mas o hábito dos castores de derrubar árvores e represar rios pode causar controvérsias. Embora se alimentem de ervas e plantas aquáticas nos meses de verão, os roedores precisam armazenar energia durante o inverno.

Engorda

Engordar para enfrentar o frio é uma estratégia comum com mamíferos. No Ártico, ursos polares podem armazenar reservas de gordura que equivalem à metade de sua massa corporal. Isso é obtido através da ingestão de gordura blubber e da alimentação de filhotes com leite que pode conter até 30% de gordura.

A gordura os mantém aquecidos, mas produz água fresca quando metabolizada, algo fundamental para a hidratação dos bichos. Image copyright Nic Redhead Image caption A gordura dos camelos ajuda a produzir água


Nic Redhead A gordura dos camelos ajuda a produzir água 

E, por falar em hidratação, por que não analisar o caso dos camelos, que não poderiam viver em condições mais diversas que a de ursos polares. Suas corcovas não estão cheias d’água, mas sim são depósitos nutricionais de gordura que podem pesar até 35 kg. No geral, porém, camelos são animais magros e sua gordura está concentrada nas corcundas.

A teoria é que a concentração de gordura reduz o isolamento térmico de seus corpos, facilitando sua missão de viver em um ambiente quente.

Curiosamente, porém, alguns dos animais mais gordos em vivendo em terra são... INSETOS.

Mariposas e suas larvas são conhecidas por aborígenes australianos como lanchinhos gordurosos. A enfermeira australiana Lesley Salem desenvolveu até um guia nutricional especializado em degustação de mariposas. Seu estudo descreve como larvas de um tipo de inseto, a Endoxyla leucomochla, têm 20% de gordura, enquanto espécimes adultos da Agrotis infusanas são compostos por quase 40% de gordura. Image copyright Alamy Image caption Está servido de uma porção de larvas Endoxyla leucomochla?


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Está servido de uma porção de larvas Endoxyla leucomochla? 

E uma outra espécie de mariposas é, proporcionalmente, o mais gordo animal do mundo. A actébia americana, tipo de traça comum às pradarias do oeste dos EUA, costuma atormentar fazendeiros.

Por volta de junho, elas migram para climas mais frios para se alimentar do néctar de flores silvestres. E durante os meses de verão, engordam o suficiente para chegar a níveis de gordura de 72% no outono.

“Gordura é importante para insetos, especialmente os que fazem voos migratórios. Alguns podem voam 100 km em um único dia sem se alimentar, e por isso precisam de grandes reservas de energia”, explica Todd Gilligan, entomologista da Universidade de Ohio, nos EUA.

Assim, como as mariposas australianas, as traças também percorrem longas jornadas e ainda precisam de energia para se reproduzir.

É a verdadeira lei da sobrevivência do mais gordo.


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