sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Biopirataria: Fiscalização X Contrabando no Brasil - JORNALISMO CIENTÍFICO

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Tabela dos animais traficados e seus respectivos preços / Fonte: Renctas

Ana Paula Abreu e Thiago Anselmo

A maior diversidade da fauna do planeta se encontra no Brasil. A riqueza natural do país, no entanto, é proporcional ao tráfico de animais silvestres que movimenta cerca de US$ 2,5 bilhões por ano. A prática ilegal gera inúmeras consequências, tanto para as espécies traficadas e o meio ambiente, quanto para a economia.
Os danos ecológicos consistem na aceleração do processo de extinção e  na introdução de espécies exóticas em locais que não são próprios de seus habitats. Existem também outros efeitos evidentes, como a venda sem nenhum controle sanitário, que pode torná-los transmissores de doenças. Há, ainda, o prejuízo financeiro, pois quantias incalculáveis são movimentadas sem que impostos sejam recolhidos.
Segundo Raulff Lima, biólogo e coordenador executivo da ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS), norte, nordeste e centro-oeste são as principais regiões afetadas por essa prática, uma vez que possuem a maior concentração de diversidade do país. Os destinos são normalmente os grandes centros urbanos, onde os animais são comercializados ilegalmente. Lima afirma, ainda, que é notório o ciclo de maus tratos que os animais sofrem, o que causa as péssimas condições físicas e culmina em um alto índice de mortalidade. A cada 10 animais retirados de ambientes naturais, um chega ao consumidor final ou é resgatado pelos órgãos ambientais. A mortalidade é de 90%.
Além da comercialização interna, grande parte dos animais capturados são exportados para várias finalidades: colecionadores particulares e zoológicos, que  priorizam as espécies mais ameaçadas, logo, quanto mais raro, mais caro;  objetivos científicos, que utilizam os animais como base para pesquisa e produção de medicamentos; animais para pet shop, um dos fatores que mais incentiva o tráfico – quase todas as espécies da fauna brasileira estão incluídas nessa categoria -; produtos de fauna que são muito utilizados para fabricar adornos e artesanatos (normalmente são comercializados os couros, peles, penas, garras e presas).


O advogado, consultor jurídico e professor universitário Talden Farias, doutor em Recursos Naturais pela Universidade Federal de Campina Grande, afirma que a venda ou posse ilegal de animais silvestres é crime, segundo a Lei n. 9.605/98 de Crimes Ambientais. O Artigo 29 prevê que é ilegal “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida: pena – detenção de seis meses a um ano, e multa”. No artigo 32 desta mesma Lei, fica decretado como crime “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: pena – detenção, de três meses a um ano, e multa”.
Farias salienta, ainda, que a tortura animal também é vedada pela própria Constituição Federal de 1988, que, no artigo 225, prevê que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. No primeiro parágrafo do artigo consta que, para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma de lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade.
O advogado esclarece que qualquer órgão ambiental é competente para fiscalizar e tomar medidas emergenciais que se fizerem necessárias. Indivíduos podem denunciar casos de tráfico de animais ao Ministério Público e à Polícia, ou podem também entrar em contato com o IBAMA.
Raulff Lima é otimista quanto ao efeito das campanhas de conscientização no Brasil. Para o biólogo, que está diretamente ligado à elaboração de ações e estratégias contra o comércio ilegal de animais, a sociedade brasileira está mais sensível ao tema, e as mídias tem sido importantes nesse processo, auxiliando na divulgação dos projetos de conservação e educação ambiental.
A comercialização
Essa comercialização de animais é tão comum que, com uma rápida pesquisa pela internet, é fácil achar vários links que remetem a venda e encomenda de animais silvestres. Na Europa isso é mais comum. Você pode visualizar clicando aquiaquiaquiaquiaquiaqui e aqui.
A fiscalização, por mais que aconteça, nunca consegue proteger tudo. Por isso é nosso dever avisar às autoridades quando necessário.
Faça sua parte!

Violações aos direitos dos animais silvestres segundo a lei

  • Matar, perseguir ou caçar;
  • Utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão;
  • Impedir a procriação da fauna sem a devida autorização;
  •  Destruir ou danificar ninho, abrigo ou criadouro natural;
  • Vender ou expor a venda;
  • Adquirir, guardar, ter em cativeiro tanto os animais quanto seus ovos e larvas;
  • Introduzir espécime animal no país, sem parecer técnico oficial favorável;
  • Praticar ato de abuso e/ou maus-tratos;
  • Provocar, a partir da emissão de efluentes em rios, lagos, açudes ou baías, a destruição da fauna aquática local.

A caça profissional é proibida por lei!

A pena pode aumentar caso:
  • A espécie seja ameaçada de extinção;
  • O crime seja praticado em períodos proibidos à caça;
  • O crime tenha sido cometido durante a noite;
  • O crime tenha sido cometido em uma unidade de conservação;
  • Haja a utilização de metódos ou instrumentos de destruição em massa.

Ibama

Para a obtenção de animais silvestres, há regulamentação específica, e quem controla as licenças para aqueles que desejam possuir animais é o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), que atua como polícia ambiental, exerce função de tomar atitudes políticas e ambientais em âmbito nacional. Qualquer animal silvestre que esteja sendo capturado e colocado em criadouros nos quais não haja regulamentação, deverá ser denunciado ao órgão, o qual se responsabilizará por tomar as atitudes penais cabíveis àquele que cometeu a infração.

O Ibama dá prioridade a assuntos de interesse da União, desta forma, serão priorizados casos nos quais os animais silvestres sejam capturados em territórios pertencentes à União.
São considerados prioridades do Ibama:
  • Empreendimentos localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país de fronteira;
  • Empreendimentos situados no mar territorial;
  • Empreendimentos situados na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva;
  • Terras Indígenas;
  • Unidades de Conservação instituídas pela União;
  • Empreendimentos que abranjam dois ou mais Estados;
  • Portos, aeroportos internacionais e fronteiras;
  • Áreas e empreendimentos de caráter militar;
  • Empreendimentos relativos a material radioativo ou que utilizem energia nuclear;
  • Tráfico de animais;
  • Importação, exportação e contrabando de produtos perigosos (agrotóxicos, substâncias que destroem a camada de ozônio, mercúrio metálico - substâncias presentes nos protocolos e convenções nos quais o Brasil é signatário);
  • Organismos geneticamente modificados;
  • Acesso ao patrimônio genético e conhecimento tradicional associado (biopirataria).
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Tabela de alguns animais traficados e seus respectivos preços / Fonte: Renctas

Direitos e Deveres dos proprietários de animais domésticos - Guia de Direitos



A criação de animais domésticos na cidade de São Paulo é livre. Porém, para que a convivência seja feita sem haver danos aos demais integrantes da população, é necessário que os proprietários contribuam seguindo algumas regras.



Deveres dos proprietários




Cães e gatos deverão ser registrados, obrigatoriamente, no CCZ (veja aqui) ou em estabelecimentos veterinários devidamente credenciados pelo mesmo órgão. Caso não o sejam, a vigilância sanitária poderá intimar para que o dono realize o cadastro em um período de até 30 dias, vencido o período, deverá pagar uma taxa estipulada por animal não registrado;
Realizar no animal a vacinação contra a raiva;
Colocar em seu animal coleira e guia;
O animal deverá ser conduzido por pessoa com idade e força suficiente para controlar os movimentos do animal;
O animal deverá portar plaqueta de identificação devidamente posicionada na coleira;
Recolher dejetos fecais eliminados em logradouros públicos;
Manter os animais em boas condições de alojamento, higiene e bem-estar;
Os animais deverão estar em locais nos quais fiquem Impedidos de fugir e agredir terceiros ou outros animais;
Manter os animais afastados de portões, campainhas, medidores de luz e água e caixas de correspondências, para que os funcionários das empresas prestadoras desses serviços possam ter acesso e também proteger os transeuntes;
Afixar uma placa, caso o animal seja bravio, comunicando o fato com uma placa em tamanho compatível à leitura à distância e em local visível;
Não é permitido, em residência particular, a criação, o alojamento e a manutenção de mais de 10 cães e gatos, no total, com idade superior a 90 dias;
Em casos excepcionais, será permitida em residência particular, a permanência de até 15 animais, a partir de uma licença especial concedida pelo centro de controle de zoonoses. Para realizar a solicitação, o proprietário deverá:



• Fornecer os números do RGA de todos os animais;

• Descrição do alojamento e de manutenção.

A decisão para a concessão da licença dependerá do critério utilizado pelo agente sanitário responsável. 

Se um dos animais que foram aceitos por meio de licença vier a óbito, for perdido ou doado, o mesmo não poderá ser substituído.
É proibida a permanência de animais soltos em via pública ou que haja acesso de público;
É proibida a prática de adestramento em via pública ou em que haja acesso de público. Caso seja uma exibição cultural e/ou educativa, o evento deverá contar com prévia autorização do CCZ, excluindo-se dessa obrigatoriedade a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar do Estado de São Paulo;
O acesso a estabelecimentos comerciais fica a critério do proprietário do estabelecimento, obedecendo as leis e normas de higiene e saúde;
Animais que forem designados pela lei, deverão utilizar enforcador e focinheira


Pessoas acompanhadas de Cão Guias possuem o direito de ingressar e permanecer em qualquer estableciemento de uso privado ou coletivo!

Fonte:
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O que fazer em caso de arranhaduras ou mordeduras sofridas por cães ou gatos?


 O comportamento de um animal doméstico é designado pela genética em combinação aos fatores relacionados ao meio no qual se encontra. Desta forma, um animal tido como "agressivo" pode expressar esta agressividade em situações específicas, ou, nos casos em que fora adestrado, expressá-la de uma forma conveniente ao tutor. 
Muitas vezes os animais não recebem a socialização adequada para que consigam conviver pacificamente com outros animais ou com seres-humanos. Esta situação, somada às características da raça, pode provocar ataques inesperados, mas que podem ser evitados. Desta forma, os tutores de animais de raças que possuem este tipo de comportamento, ainda que seja um animal tido como "pacífico", deve seguir determinadas regras para que a sociedade sinta-se confortável na presença do animal.

O que fazer em caso de arranhaduras ou mordeduras sofridas por cães ou gatos?


Primeiramente, a pessoa que sofreu mordeduras ou arranhaduras de cães ou gatos deverá procurar um médico que fornecerá um atestado alegando o fato ocorrido, além de poder alertar para possível contaminação por zoonose.
Em seguida, a pessoa que sofreu a agressão deverá entrar em contato com o 156, para que, se necessário, seja solicitada a remoção do animal. O interessado deverá informar:
  • Nome da vítima;
  • Idade da vítima;
  • Data da agressão.

Caso o animal que realizou o ataque tenha escapado de seu dono, a orientação à vítima ou a seu responsável, é de que seja realizado um Boletim de Ocorrência em uma delegacia.


Focinheira e Enforcador
As raças
Mastim Napolitano
Pit Bull
Rottweiller
American Stafforshire Terrier
ou que contenham qualquer derivação das mesmas, são obrigadas a utilizarem focinheira combinada a guia curta de condução, enforcador e coleira em locais de circulação pública ou de grande concentração de pessoas, como por exemplo passeatas e manifestações. Além disso, o tutor do animal que possua uma das raças designadas deverá tomar todas as precauções cabíveis a fim de que o animal não fique sozinho sem o auxílio de um responsável pelo mesmo.

Entende-se por guia curta: correias ou correntes que não sejam extensíveis e tenham no máximo de 2m de comprimento.

Por ser um direito do cidadão, a posse de cães não pode ser proibida. Desta forma, cabe ao tutor do animal tomar determinadas atitudes que visem o bem-estar das demais pessoas da coletividade nas quais se encontra. A focinheira, por exemplo, apesar de gerar controversas quanto ao seu uso, é uma iniciativa tomada pelo tutor, ainda que o animal seja considerado dócil mas que pertença a uma das raças designadas para o uso, para que outras pessoas sintam-se seguras diante da presença do animal. Caso o animal seja considerado agressivo e o dono perceba a necessidade, o uso da focinheira também deverá ser avaliado, mesmo que não pertença às raças designadas.
Os usos da Focinheira, Enforcador e Guia Curta devem seguir determinadas regras, para que não firam, também, os próprios animais:

  • Deverão condizer ao porte do animal para não lhe causar desconforto;
  • Deverá ser utilizada a focinheira de passeio a fim de não obstruir a respiração do animal e sua perda de calor (veterinários recomendam o uso de focinheiras de ferro um pouco mais abertas para que o animal consiga comer e beber livremente, além de fazer as trocas de oxigênio necessárias para manter a respiração e a temperatura corporal);
  • Durante o período em que o animal estiver afastado dos locais de acesso público, os itens deverão ser retirados.

Além das situações descritas, o uso da focinheira também é adequado em outras raças de animais durante intervenções cirúrgicas ou de situações nas quais o animal está exposto a um alto grau de estresse e pode voltar-se contra àquele que faz a intervenção.

Como denunciar, caso não seja utilizada a focinheira?
Para denunciar o descumprimento do uso dos acessórios, o cidadão deverá comunicar a vigilância Sanitária por meio do telefone 156 ou indo diretamente a uma delegacia de polícia (clique aqui para saber mais a respeito das delegacias)
Há, ainda, a possibilidade de realizar uma solicitação ao 181 (Disque Denúncia).


O que acontece caso não seja utilizada a focinheira?
O infrator deverá pagar uma multa referente a 10 UFESPs (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo) vigente na data do delito. Em caso de reincidência, a multa terá seu valor dobrado.
A infração deverá ser analisada de modo a garantir a conciliação, caso não tenha havido nenhum outro tipo de delito envolvido na ação.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Comportamento: Cães no trabalho diminuem stress de funcionários

A pesquisa foi realizada com 550 funcionários de uma empresa americana, aonde são levados diariamente entre 20 e 30 cachorros

A pesquisa foi realizada com 550 funcionários de uma empresa americana, aonde são levados diariamente entre 20 e 30 cachorros (Thinkstock/VEJA)

Pesquisa conclui que pessoas que levam seus animais ao ambiente profissional são menos estressadas e mais satisfeitas e comprometidas com o emprego

Pesquisadores da Universidade Virginia Commonwealth, nos Estados Unidos, concluíram que cães no ambiente de trabalho podem reduzir o stress e fazer com que o emprego seja mais satisfatório aos funcionários. Segundo o estudo, publicado no periódico International Journal of Workplace Health Management, o stress é um fator que contribui para a ociosidade, o moral baixo e o cansaço dos funcionários, resultando em uma significativa perda de produtividade.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Preliminary investigation of employee's dog presence on stress and organizational perceptions

Onde foi divulgada: revista International Journal of Workplace Health Management

Quem fez: Randolph T. Barker, Janet S. Knisely, Sandra B. Barker, Rachel K. Cobb, Christine M. Schubert

Instituição: Universidade Virginia Commonwealth, Estados Unidos

Dados de amostragem: 550 funcionários de uma empresa americana

Resultado: Pessoas que levam seus cães ao trabalho são menos estressadas, mais satisfeitas e mais comprometidas com o emprego
A pesquisa foi realizada na empresa Replacements, Ltd., localizada na cidade de Greensboro, na Carolina do Norte, que emprega cerca de 550 pessoas. Entre 20 e 30 cachorros convivem nas instalações da firma todos os dias. Durante uma semana, os cientistas compararam os empregados que levavam seus cães pra trabalhar, os que não levavam e os que não possuíam animais de estimação em casa. Todos os indivíduos responderam, ao longo do dia, a vários questionários que avaliavam o stress, satisfação com o emprego, comprometimento organizacional e apoio.

"Apesar de preliminar, este estudo é o primeiro quantitativo sobre como cães que convivem no ambiente profissional podem causar efeitos no stress, satisfação e compromisso dos funcionários", diz Randolph T. Barker, líder da pesquisa. "A diferença no stress observado nos dias em que o cachorro estava presente no local de trabalho e nos dias em que ele estava ausente foi significativa. Eles ficavam muito mais satisfeitos ao lado dos cães", conta.

Além de questionários solicitados aos participantes da pesquisa, os especialistas coletaram ainda amostras de suas salivas, todos os dias pela manhã. Medições nessas amostras, no entanto, não mostraram diferenças no nível de hormônio do stress dos três grupos de funcionários. No decorrer do dia de trabalho, porém, o stress que os empregados relataram ao responder as perguntas foi menor entre os que haviam levado seus cães e aumentou para os que não levaram e para os que não possuíam animais de estimação.

A equipe observou que os funcionários se mostraram muito mais estressados nos dias em que deixaram seus cães em casa do que nos dias em que os levaram. De acordo com Barker, há uma comunicação relacionada aos cachorros no local de trabalho que pode contribuir para o desempenho e satisfação dos empregados. Por exemplo, aqueles sem animais de estimação foram vistos pedindo pra passar um tempo com o cão do colega durante intervalos no trabalho.

"A presença do animal de estimação é uma intervenção de baixo custo e que causa bem estar, sendo facilmente disponível para muitas organizações que queiram aumentar a satisfação de seus funcionários. Claro que é importante a adoção de políticas que garantam que os animais sejam amigáveis, limpos e bem comportados, já que estarão presentes em ambientes profissionais", explica Barker. O pesquisador acrescenta que pesquisas de maior amostragem dentro de um ambiente organizacional podem ajudar a confirmar os resultados desse estudo inicial.

Fonte:

Entidade internacional vai apoiar candidatura de macaco brasileiro para mascote das Olimpíadas de 2016

Muriqui-do-norte

Macaco muriqui, endêmico da Mata Altântica, pode ser o mascote da Olimpíada de 2016 (Reprodução/VEJA)

Entrada da organização Conservation International em campanha quer divulgar o bioma Mata Atlântica no exterior e tentar atrair investimentos em projetos de proteção do muriqui-do-norte e do muriqui-do-sul, maior primata do Brasil

Seguindo o exemplo do tatu-bola, animal brasileiro ameaçado de extinção, entidades de conservação da natureza querem emplacar o quase desconhecido Muriqui como mascote dos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro. No ano passado, a organização EcoAtlântica e a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro lançaram o projeto. E, para angariar apoio também fora do País, a campanha firmará, na próxima semana, uma parceria com a Conservation International (CI), entidade de proteção ao meio ambiente sediada nos Estados Unidos e com atuação em diversos países.
O objetivo é divulgar o nome do macaco no exterior. "Vamos levar a campanha para fora do País e fortalecê-la junto ao Comitê Organizador Local (COL), Comitê Olímpico Internacional (COI) e empresas patrocinadoras dos jogos", diz Beto Mesquita, engenheiro florestal e diretor do Programa Mata Atlântica da CI. 
A entrada da CI no projeto não visa apenas conseguir que o macaco vire símbolo da Olimpíada do Rio de Janeiro. "Queremos aumentar a proteção e reduzir a ameaça sobre a espécie", diz Mesquita. "Com a campanha, teremos a oportunidade de falar com a sociedade e chamar a atenção para a necessidade de criação de novas reservas e áreas de proteção." 
No Brasil, a CI financia pesquisas sobre o primata — ameaçado de extinção, o macaco é dividido em duas espécies (muriquis-do-norte e muriquis-do-sul) — encontrado em áreas de Mata Atlântica na Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Além do mais, a organização investe na criação e manutenção de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), fundamentais para a sobrevivência do macaco. O investimento anual em projetos para o muriqui gira em torno de 600.000 reais, de acordo com Mesquita.
Preservação – Paula Breves, presidente da Eco Atlântica, espera que internacionalizar a campanha ajude a chamar a atenção, no exterior, para o bioma Mata Atlântica e atraia investimentos para projetos de proteção do muriqui.
A importância de preservação do primata é comprovada pelo escasso número de indivíduos que sobreviveram a séculos de desmatamento e de caça. Hoje, na estimativa do professor de Zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo, Sérgio Lucena, existem 2.000 macacos – entre as espécies muriquis-do-norte e muriquis-do-sul. "Realizamos um estudo com base na densidade populacional do muriqui nas reservas atuais e no habitat que ele tinha disponível antigamente", explica o professor. De acordo com ele, a população do primata já foi superior, no início da colonização, a um milhão de indivíduos.
Leia também:
População de macacos ameaçados de extinção cresce cinco vezes em reserva 
A situação é mais delicada entre os muriquis-do-norte. Eles vivem em pequenos grupos em reservas esparsas e separadas entre si nos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais. A falta de ligação entre as populações, diz Lucena, é uma das razões que fazem do muriqui-do-norte uma espécie considerada em risco crítico de extinção.
Apesar da situação de ameaça, algumas reservas, como a da cidade mineira de Caratinga (leia mais), conseguiram apresentar resultados bastante positivos na recuperação de populações de muriquis-do-norte.
Os muriquis-do-sul, por outro lado, estão espalhados em parques estaduais principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Se a maior extensão dos habitats faz com que esta espécie não esteja em risco crítico de desaparecer (ela é considerada em perigo de extinção), também torna mais difícil mapear com precisão o número de indivíduos existentes.
Símbolo – Um dos motes da campanha será apresentar o primata como um símbolo de preservação ambiental. "O muriqui se alimenta de flores, frutas e folhas e precisa de uma certa variedade de alimentos ao longo do ano. Por isso, ele só existe em áreas de florestas que foram pouco perturbadas. A própria existência dele significa condições próximas às florestas originais", diz Mesquita, da CI.

Fonte:

Lista internacional de animais em extinção revela biomas em perigo

cebus kaapori macaco primata amazônia

Cebus kaapori, endêmico da região da Amazônia, corre risco crítico de extinção. De acordo com a pesquisadora Liza Veiga, do Museu Paraense Emílio Goeldi, a população da espécie foi reduzida em 80% ao longo das últimas três gerações, pouco menos de 50 anos (Marcelo Marcelino/ICMBio/VEJA)

O tradicional documento da União Internacional para a Conservação da Natureza elenca as 25 espécies de primatas em risco de desaparecer nas próximas décadas pela pressão humana em seus habitats

Ricardo Carvalho

A tradicional lista de primatas mais ameaçados de extinção no mundo, divulgada bianualmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), em parceria com outras entidades, trouxe em 2012 duas espécies brasileiras, o bugio-marrom (Alouatta guariba guariba) e o macaco-caiarara (Cebus kaapori). A escolha, anunciada na última semana, avaliam os especialistas, visa colocar em destaque internacional a situação de perigo não só desses dois primatas, mas dos biomas (conjunto de tipos de vegetação que abrange grandes áreas contínuas, em escala regional, com flora e fauna similares: a Amazônia e a Mata Atlântica, por exemplo, são biomas) onde eles vivem.
Cebus kaapori habita uma porção de floresta amazônica que se estende de Belém, no Pará, a São Luís, no Maranhão. O habitat do macaco, numa região conhecida por Centro de Endemismo Belém, onde começa o "arco do desmatamento", convive com índices intensos de derrubada de matas. De acordo com a pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém), Liza Veiga, o Centro de Endemismo Belém, uma das mais antigas ocupações humanas na Amazônia, tem 67% de seu território desmatado. "Ele (Cebus kaapori) é talvez o primata mais ameaçado da Amazônia, situação causada principalmente pela drástica redução de seu habitat", diz a pesquisadora. As matas remanescentes, bastante fragmentadas, estão em terra indígenas e em unidades de conservação, que vivem sob constante pressão humana.
Não se sabe ao certo quantos exemplares existem do macaco-caiarara. Liza calcula, no entanto, que a extração madeireira, a caça ou mesmo a derrubada seletiva de árvores tenha causado, ao longo das últimas três gerações – pouco menos de 50 anos –, uma drástica redução de 80% da população do animal. "Se o desmatamento continuar, há um alto risco de o kaapori desaparecer nos próximos 30 anos."
Luis Paulo Pinto/ICMBio
alouatta guariba guariba primata iucn
Alouatta guariba guariba é o outro primata brasileiro na lista da IUCN
Mata Atlântica — O outro integrante brasileiro do levantamento é o bugio-marrom (Alouatta guariba guariba). Essa espécie, de acordo com Leandro Jerusalinsky, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação dos Primatas Brasileiros, foi escolhida por representar a perda da biodiversidade na Mata Atlântica, bioma que conta com somente 7% da sua cobertura original. "Hoje, cerca de 70% dos primatas que ocorrem na Mata Atlântica estão ameaçados", afirma Jerusalinsky.
Com uma população remanescente de apenas 250 indivíduos, espalhada em menos de 10 localidades com ocorrência confirmada, oAlouatta guariba guariba provavelmente foi extirpado da Bahia, segundo o especialista. “E a Mata Atlântica no Nordeste é justamente a mais vulnerável.” Acredita-se que as comunidades do Alouatta guariba guariba se estendiam até o Recôncavo baiano, mas a caça e a perda de habitat provavelmente as extinguiram nas áreas mais ao norte de Mata Altântica. Hoje, a população do macaco se concentra no vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. 
Existe pelo menos uma dezena de primatas brasileiros que se encontram em situação de risco crítico, semelhante às duas espécies que figuram na lista deste ano da IUCN. O bugio-marrom e o macaco-caiarara ainda são pouco conhecidos e não contam com programas de proteção específicos. Espera-se que a visibilidade dada pela lista contribua para a elaboração de projetos de conservação.   

Saiba mais

CENTRO DE ENDEMISMO
Cada setor da Amazônia possui o seu conjunto de espécies endêmicas. As áreas que possuem duas ou mais espécies endêmicas são denominadas centros de endemismo. 
ARCO DO DESMATAMENTOCom 500.000 km² de terras, que incluem áreas do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre, o "arco do desmatamento" é onde ocorrem os maiores registros de desatamento no Brasil.
LÊMURESPrimata endêmico de Madagascar, há 103 espécies de lêmures existentes. Pela intensa perda de habitat na ilha africana, os lêmures são considerados, pela IUCN, o grupo de primatas mais ameaçado do planeta.
                   
Uma ilha em perigo – O país em situação mais crítica no levantamento, entretanto, está a mais de 10.000 quilômetros do Brasil. A ilha de Madagascar, que se descolou da África continental há 160 milhões de anos, conta com seis primatas em risco de desaparecer na lista da IUCN. O número é maior do que o de toda a África continental (cinco espécies) e só perde para a Ásia (nove). 
Para se ter uma ideia do nível de ameaça de algumas espécies, o lêmure desportista-do-norte (Lepilemur septentrionalis), um dos animais malgaxes em situação mais ameaçada, conta com uma população estimada em apenas 19 indivíduos.
Russell Mittermeier é presidente da Conservação Internacional e do grupo de especialistas em primatas da IUCN. De um hotel em Hyderabad, cidade indiana onde aconteceu a Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas, Mittermeier explicou que os primatas de Madagascar sofrem com o intenso desmatamento de seu habitat. Como cerca de 90% da mata nativa do país foi derrubada, restou à população de primatas pouco mais de 60.000 quilômetros quadrados. "As pressões sobre as espécies são muito grandes", avalia o biólogo.
A perda de biodiversidade na ilha preocupa os cientistas. Por ter se separado do continente há milhões de anos, praticamente 100% das espécies de primatas são endêmicas – ou seja, só existem ali. "Madagascar não pode ser comparado com nenhum lugar do mundo, é um caso de endemismo espetacular. Os animais malgaxes estão separados de outros primatas do planeta por muitos milhões de anos", afirma o presidente da CI. A apreensão de Mittermeier só aumenta ao citar o atual quadro de instabilidade política no país. Um golpe militar em 2009 intensificou a atividade humana sobre as poucas matas remanescentes e interrompeu o financiamento internacional a projetos de preservação. 
"A quase completa ausência de fiscalização de qualquer lei ambiental levou a um surto vertiginoso de desmatamento ilegal e de caça de lêmures em todo o país. Muitas áreas que antes estavam razoavelmente protegidas, agora se tornaram unidades de conservação apenas no papel", diz Christoph Schwitzer, chefe de pesquisa da Bristol Conservation and Science Foundation, outra organização responsável por elaborar a lista. O país é o segundo com maior diversidade de primatas no mundo, atrás apenas do Brasil.

Fonte: